Rope jump: responsáveis não sabem explicar por que jovem foi lançada sem cordas

Em depoimentos à Polícia Civil, os três funcionários presos alegaram esquecimento sobre quem deveria instalar os equipamentos e classificaram o caso como fatalidade; Maria Eduarda saltou sem nenhuma das cordas de segurança

Estadão Conteúdo

Por Anderson Martins, CC BY-SA 3.0. (Foto: Wikimedia Commons)
Por Anderson Martins, CC BY-SA 3.0. (Foto: Wikimedia Commons)

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Os responsáveis pela operação do salto de rope jump que terminou com a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira, no interior de São Paulo, afirmaram não saber explicar por que a jovem foi lançada da ponte sem as cordas de segurança.

Um dos investigados afirmou em depoimento à Polícia Civil, veiculado pelo portal g1, que as inspeções eram realizadas normalmente antes dos saltos.

“No dela estamos sem entender até agora”, declarou. Ao relatar o que aconteceu após a queda, ele disse ter descido até o local onde a jovem estava sendo socorrida.

Oportunidade com segurança!

A vítima morreu no sábado, 13, após saltar da Ponte do Esqueleto. Segundo a Polícia Civil, Maria Eduarda deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas estava instalada no momento da atividade. A reportagem tenta contato com os advogados dos responsáveis.

De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários responsáveis pela operação e que permanecem presos afirmaram em depoimento que não se lembram de quem deveria instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança.

“Tipo assim, eu estava na ponte, desci lá embaixo e tinha uma enfermeira fazendo RCP [manobra de emergência realizada quando alguém sofre parada cardiorrespiratória]. Aí o resgate chegou e eu subi [para o alto da ponte]”, afirmou.

Em depoimento, outro investigado afirmou que a instalação e a conferência das cordas eram feitas de forma alternada entre os integrantes da operação e que não havia uma definição rígida sobre quem executaria cada etapa em cada salto.

“Às vezes a gente coloca, outro confere; outro confere, outro coloca. Às vezes a gente faz, outro vem e vê se está certo. Era mais ou menos isso”, afirmou. Questionado sobre quem deveria ter instalado ou fiscalizado as cordas no salto de Maria Eduarda, o funcionário respondeu que não se recorda. “Não lembro”, disse.

Ele classificou o caso como uma fatalidade e afirmou que os envolvidos não conseguem compreender como o acidente ocorreu.

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“Foi realmente uma fatalidade. Ninguém sai de casa para cometer um negócio desse [matar uma pessoa]. Todo mundo lá é tarado por esporte. É uma rapaziada que gosta, e se juntou para fazer isso”, declarou.

“A gente fala que não entende porque é visível [a corda]. É difícil entender como não viu”, declarou. O investigado afirmou ainda que a colocação das cordas era normalmente feita por ele e por outro integrante da equipe. “Sou eu e ele que faz”, disse.

O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte mesmo sem a intenção direta de matar. Além da dinâmica do acidente, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.

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Testemunhas ouvidas pela reportagem afirmaram ainda que os responsáveis pela atividade organizavam os saltos por meio de um grupo de WhatsApp. Segundo relatos, o grupo reunia participantes das atividades e compartilhava orientações sobre segurança, além de dicas sobre vídeos com potencial de viralização nas redes sociais.

De acordo com o coordenador pedagógico Rafael Goulart, que estava no local no dia do acidente, os participantes descobriram apenas após a tragédia que o grupo responsável pelos saltos não possuía registro formal. “Essa empresa, na verdade, não existe. Eles não tinham registro, não tinham CNPJ”, afirmou.

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