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Um posto de combustíveis localizado na região central de São Paulo foi identificado pela Justiça como um dos pontos estratégicos para o descarregamento de metanol desviado por uma rede de adulteração operada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as autoridades, o Auto Posto Bixiga Ltda., na Bela Vista, foi usado repetidamente para receber cargas ilegais da substância, tóxica e proibida em altas concentrações, que abasteciam um esquema milionário de fraudes no setor.

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Segundo a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal e do Ministério Público, a facção criou uma estrutura sofisticada para infiltrar o mercado de combustíveis: do desembarque portuário à revenda nos postos, passando por documentos falsificados, empresas de fachada e lavagem de dinheiro por meio de instituições de pagamento.
Oportunidade com segurança!
O volume movimentado impressiona: mais de 10 milhões de litros de metanol teriam sido desviados com aparência de legalidade.
Multa e interdição
Entre 2022 e 2024, o Auto Posto Bixiga foi alvo de mais de 30 notificações e quatro interdições por irregularidades detectadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em um dos episódios, em junho de 2022, foi encontrado alto teor de metanol no etanol comercializado no local. A
legislação brasileira permite no máximo 0,5% de metanol na composição da gasolina, por questões de saúde e segurança. Em alguns postos ligados ao esquema, a porcentagem chegava a 50%.
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A localização do posto — na esquina da Rua Manoel Dutra com a Rua João Passalacqua — facilitava a ação do grupo. Caminhões que deveriam entregar metanol a empresas químicas no Mato Grosso desviavam o trajeto pela Rodovia Régis Bittencourt até São Paulo.
O produto, importado pelo porto de Paranaguá (PR), chegava à capital paulista amparado por notas fiscais falsas, que alegavam o transporte de álcool ou gasolina.
Ramificações financeiras
Além do setor de combustíveis, a operação revelou que o PCC mantinha infiltrados em fundos de investimento da Faria Lima, principal centro financeiro da capital paulista. O objetivo era lavar o dinheiro obtido com a adulteração de combustíveis e escoar os recursos por meio do sistema financeiro.
Conversas extraídas de celulares de motoristas interceptados pela Polícia Rodoviária Federal ajudaram a mapear a logística do desvio. Segundo documentos judiciais, o grupo utilizava uma “estrutura criminosa complexa”, com atuação coordenada para burlar controles fiscais e ambientais, fraudar o produto e vendê-lo ao consumidor final.
Rede de postos e lavagem
No total, 19 postos foram nomeados em decisões judiciais que integram a investigação. A Receita Federal estima que mais de mil estabelecimentos foram usados para lavagem de dinheiro da facção, com movimentações em dinheiro vivo e transações eletrônicas por maquininhas.
Apesar de o Auto Posto Bixiga estar entre os citados, o proprietário, Celso Abugao Silveira, segundo registros empresariais consultados pelo portal G1, não aparece como réu nos processos nem foi formalmente acusado nas decisões públicas relacionadas à operação.