Publicidade
O governo dos Estados Unidos anunciou a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil, com foco em supostas falhas na proteção de direitos de propriedade intelectual e práticas consideradas injustas em áreas como comércio digital, etanol e combate à corrupção.
A ordem partiu diretamente do presidente Donald Trump e foi formalizada nesta terça-feira (15) pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
A abertura da investigação ocorre em meio à escalada nas tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países, acirradas pela decisão do STF de manter condenações contra Jair Bolsonaro, criticada por Trump como “perseguição política”.
Oportunidade com segurança!
Pirataria
Um dos principais alvos do relatório é a região da Rua 25 de Março, em São Paulo, apontada pelo governo americano como um dos maiores mercados de produtos falsificados do mundo. O documento afirma que, apesar de operações policiais frequentes, o Brasil “não conseguiu combater de forma eficaz a venda e distribuição de itens piratas”.

Ao lado de Alckmin, Motta e Alcolumbre defendem “soberania” contra tarifa de Trump
Presidentes da Câmara e do Senado reagem a tarifaço dos EUA e posicionam o Congresso ao lado de Lula

Projeto de anistia perde força após denúncia contra Bolsonaro e tarifas de Trump
Clima no Congresso piorou para qualquer tratativa sobre o assunto após o anúncio das tarifas retaliatórias dos EUA; políticos de esquerda elevam pressão contra ex-presidente e seu filho, Eduardo Bolsonaro
Segundo o USTR, o polo comercial no centro da capital paulista opera há décadas com “mais de mil lojas vendendo produtos falsificados de todos os tipos”, incluindo eletrônicos, vestuário, brinquedos e dispositivos de streaming ilegais. O relatório também cita shoppings e galerias como Page Centro, Santa Ifigênia, Tupan, Korai e as Feiras da Madrugada como pontos de revenda e distribuição.
A crítica se soma a relatórios anteriores, como o publicado em janeiro, que já classificava a 25 de Março como uma das maiores zonas de pirataria da América Latina. Desta vez, porém, a denúncia é acompanhada de uma investigação formal, que poderá abrir caminho para novas medidas comerciais, a exemplo da tarifa de 50% já anunciada por Trump sobre produtos brasileiros.
Continua depois da publicidade
Outras frentes da investigação
Além da pirataria, o relatório do USTR elenca seis áreas de preocupação, com críticas que vão desde políticas industriais até o meio ambiente. Entre os principais pontos estão:
- Comércio digital e serviços de pagamento: o Brasil é acusado de retaliar empresas americanas que se recusam a moderar conteúdo político, além de impor restrições à operação dessas companhias no país.
- Tarifas preferenciais: segundo os EUA, o Brasil favorece parceiros estratégicos com tarifas reduzidas, em desvantagem para produtos americanos.
- Anticorrupção e transparência: com referências à Operação Lava-Jato, o país é acusado de falhar na aplicação de normas internacionais de combate à corrupção.
- Etanol: o governo americano alega que o Brasil voltou atrás em compromissos anteriores e agora aplica tarifas altas sobre o etanol dos EUA, afetando a competitividade do setor.
- Desmatamento ilegal: segundo o texto, o Brasil não estaria aplicando de forma eficaz suas leis ambientais, prejudicando produtores americanos de madeira e alimentos.