Polícia desmonta fazendas de criptomoedas em Alagoas por furto de energia e água

Operação desativou quatro estruturas usadas para mineração; alto consumo causava quedas de energia e prejuízos a moradores da zona rural

Victória Anhesini

Foto: Divulgação/PC-AL
Foto: Divulgação/PC-AL

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A Polícia Civil de Alagoas realizou uma operação na última sexta-feira (9) que investiga a atuação de quatro fazendas de mineração de criptomoedas instaladas de forma irregular na zona rural de Porto Real do Colégio. Segundo os investigadores, as estruturas passaram a funcionar nos últimos meses e alteraram o cotidiano dos moradores da região devido ao alto consumo de energia e de água.

A operação desmantelou os locais e apreendeu equipamentos de alto desempenho utilizados para manter as máquinas em funcionamento. As fazendas estavam ativas havia cerca de cinco meses, de acordo com a corporação. Todo o material foi recolhido, e as buscas pelos responsáveis continuam.

A mineração de criptomoedas consiste no uso de computadores potentes para validar transações digitais, garantindo a segurança e a descentralização das redes virtuais. Em troca, os operadores recebem criptomoedas ou taxas de transação.

A delegada Bárbara Porto, diretora-adjunta da Diretoria de Inteligência Policial, explicou ao UOL que a mineração em si não é ilegal, mas tornou-se por conta do furto de energia elétrica, além da utilização indevida das águas do rio São Francisco, que servia para resfriar as máquinas.

Nos pontos fiscalizados, a polícia identificou ligações clandestinas, conhecidas popularmente como “gatos”, tanto de energia quanto de água, além de conexões ilegais à rede pública de abastecimento, usadas para manter o sistema de refrigeração das máquinas.

Problemas na região

As fazendas de mineração de criptomoedas operavam com altíssimo consumo de energia elétrica e de água, o que acabou afetando diretamente as comunidades próximas. De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria furtado cerca de 200 mil kWh (o que equivale a R$ 155 mil, e totaliza R$ 750 mil em cinco meses de operação das fazendas), quantidade suficiente para abastecer aproximadamente mil residências. O volume de água desviado ainda está sendo apurado.

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O funcionamento dessas fazendas trouxe prejuízos aos moradores do entorno, que sofreram com quedas de energia e danos a aparelhos domésticos.

“O consumo ilegal de energia era de tamanho vulto que causava instabilidade e picos de energia nos arredores, provocando a queima de aparelhos eletrodomésticos e prejuízos significativos à população inocente”, disse Thales Araújo, diretor da Dinpol, em nota.

Em nota ao UOL, a empresa Equatorial Energia, que é responsável pela distribuição elétrica em Alagoas, informou que está colaborando com as investigações.

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As máquinas utilizadas na atividade funcionavam sem interrupção, em esquema 24 horas por dia, para garantir a rentabilidade da mineração, o que gerava muito barulho na região e atrapalhava os moradores do entorno, segundo a Polícia Civil.

Ninguém foi preso

Não houve prisões durante a operação realizada na sexta-feira, que teve como foco desativar as fazendas ilegais de mineração de criptomoedas em Porto Real do Colégio, no interior de Alagoas. As investigações continuam para identificar os responsáveis, que, segundo a Polícia Civil, não residem na região.

De acordo com os investigadores, os proprietários do esquema seriam pessoas de fora da cidade, que, há alguns meses, alugaram imóveis locais para instalar o maquinário. Imagens obtidas pela polícia mostram que um transformador de energia chegou a ser utilizado em uma das estruturas para garantir o fornecimento constante de eletricidade.

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No caso do uso de água, a PC destacou que a captação direta de rios federais, como o São Francisco, só pode ocorrer com autorização da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Essa outorga define prazo e condições específicas para o uso, considerando fatores como a quantidade de água solicitada, a finalidade da extração, a disponibilidade hídrica do curso d’água e a preservação ambiental.

Dependendo da escala da atividade, a ANA também pode exigir estudos técnicos complementares, licenciamento ambiental, instalação de medidores de vazão e monitoramento contínuo para garantir que o uso do recurso ocorra dentro dos limites legais.