PF: Megaesquema de lavagem era “disponível para qualquer organização criminosa”

"Essas estruturas funcionavam como lavanderias financeiras profissionalizadas", explicou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Paulo Barros

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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (28) que o esquema de lavagem de dinheiro desarticulado nas operações Carbono Oculto, Quasar e Tank não era restrito a uma facção ou grupo criminoso específico, mas sim uma estrutura aberta e funcional, capaz de atender a diferentes organizações ilícitas, operando como um verdadeiro sistema paralelo ao financeiro formal.

“Não é uma lavagem de dinheiro de determinado grupo, de determinada facção criminosa. É um esquema de lavagem de dinheiro que, infelizmente, poderia ser utilizado por qualquer um: sonegador, traficante, toda sorte de criminoso que quisesse se beneficiar desse modelo”, disse Rodrigues, durante coletiva em Brasília ao lado dos ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, e da Fazenda, Fernando Haddad.

“Essas estruturas funcionavam como lavanderias financeiras profissionalizadas. Não apenas para o PCC, mas como serviços disponíveis para outras redes criminosas, inclusive ligadas ao tráfico de drogas e à sonegação”, completou o diretor.

Rodrigues ressaltou ainda que o sucesso da ofensiva desta quinta-feira é resultado de um modelo de integração entre agências, que deve se tornar o padrão em operações de grande escala.

“Essa operação mostra a importância do trabalho conjunto e do respeito às atribuições de cada órgão. Receita Federal, Polícia Federal, Ministérios Públicos, todos atuando em sinergia. Esse é o caminho para enfrentar o crime organizado em sua nova forma”, afirmou.

A PF deflagrou duas das três frentes — Quasar, em São Paulo, e Tank, no Paraná — com foco em fundos usados para lavagem e adulteração na cadeia de combustíveis, respectivamente. Já a Carbono Oculto foi liderada pela Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo, com foco na infiltração do PCC na economia real e na estruturação financeira via fundos e fintechs.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)