PF e PGR analisam segunda versão de delação de Vorcaro

Primeiro relato foi rejeitado após avaliação de que informações eram insuficientes

Agência O Globo

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Integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) analisam a nova versão da proposta de delação premiada do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e devem dar uma resposta nos próximos dias se vão seguir com as negociações, pedir mais complementos ou rejeitar o acordo.

Os anexos foram entregues na segunda-feira em uma reunião entre advogados do banqueiro e a equipe da PF e PGR. Um segundo encontro ocorreu no dia seguinte e foram feitos acréscimos ao material. Uma terceira audiência havia sido marcada para quarta, mas os investigadores pediram mais tempo para avaliar o material antes das duas partes voltarem a se reunir.

Interlocutores envolvidos nas negociações afirmaram em uma análise inicial que os relatos estão mais detalhados e robustos do que os apresentados na primeira versão, que foi rejeitada em maio.

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O conteúdo do primeiro documento está em sigilo de Justiça, mas O GLOBO apurou que Vorcaro procurou justificar os pagamentos e o relacionamento próximo com políticos e não admitir crimes, como era esperado de um acordo de colaboração no qual o alvo entrega novos elementos de prova em troca de benefícios penais. Além disso, ele também omitiu fatos já conhecidos pela PF, como uma suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega irregularidades, e as conversas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL)

Na percepção desses investigadores, não seria possível aceitar o acordo da forma como estava, pois as omissões ficariam evidentes com o avançar das investigações e as descobertas encontradas nos celulares de Vorcaro, do seu primo, cunhado e pai, que também entraram na mira da PF.

Pessoas envolvidas nas apurações interpretaram essa postura pouco colaborativa de Vorcaro como um sinal de que ele estava tentando ganhar tempo longe de um presídio de segurança máxima. A defesa do banqueiro procurou desfazer essa impressão ao acelerar a apresentação de uma nova proposta.

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Nas últimas semanas, como um gesto de que está disposto a colaborar com as autoridades, Vorcaro promoveu uma mudança na sua equipe de advogados. Saiu o criminalista Jose Luis Oliveira Lima, o Juca, e entrou o também criminalista Sergio Leonardo, que já acompanhava o empresário desde a primeira operação sobre as fraudes no Banco Master, deflagrada em novembro. Leonardo agora coordena a equipe de defesa.

Segundo a coluna da Malu Gaspar, Juca colecionou desavenças com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master, e teria se tornado um obstáculo para a homologação do acordo.

Três meses de prisão

A prisão preventiva de Vorcaro completa três meses nesta quinta-feira. Durante o período, ele chegou a ficar algumas semanas encarcerado no Presídio Federal de Brasília, onde foi submetido à mesma rotina rígida aplicada a chefes de facções criminosas.

Após assinar um acordo de confidencialidade que marcou o início das discussões sobre a colaboração premiada, ele foi transferido para a Superintendência da PF, em Brasília, onde o esquema é menos duro. No local, passou a ocupar uma sala especial reservada a autoridades – a mesma em que ficou o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no caso da trama golpista.

É nesta cela onde Vorcaro tem recebido diariamente a visita dos seus advogados, que correm contra o tempo para fechar o acordo de delação premiada. Os investigadores já avisaram que o ideal seria firmar o pacto até julho para evitar a contaminação do período eleitoral. E ressaltaram que não dependem da colaboração para avançar com as apurações — ou seja, só irão adiante com o acordo se o banqueiro entregar novos elementos de prova.

A PF chegou a pedir a André Mendonça para removê-lo de volta ao presídio federal de Brasília, o que não foi atendido. O ministro, no entanto, também não acolheu o pedido da defesa para transferi-lo a uma cela do 19º Batalhão a Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.

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O motivo: o estabelecimento é pequeno e a administração do local não conseguiria garantir que não houvesse nenhum contato entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que está preso na unidade sob suspeita de fraudes envolvendo a compra de carteiras do Master pelo banco de Brasília. Assim como Vorcaro, Costa é outro investigado que tenta fechar uma delação premiada.

Próximos passos

A nova proposta apresentada pela defesa de Vorcaro será analisada pela PF e PGR, que deverão avaliar se o conteúdo traz informações inéditas e relevantes para a investigação. Caso considerem que há elementos suficientes para avançar nas negociações, os investigadores poderão convocar o empresário para uma série de depoimentos destinados a detalhar os fatos narrados e testar a consistência das informações apresentadas.

Nessa etapa, também poderão ser exigidas provas e documentos que corroborem os relatos. Se houver concordância sobre os termos da colaboração, o acordo será formalizado e encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso. Caberá ao magistrado verificar a legalidade e a regularidade do procedimento antes de decidir pela homologação da delação premiada.