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O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem doze ‘sintonias’ para administrar o crime e os criminosos no Brasil e no exterior. A conclusão é do Departamento de Inteligência Policial (Dipol) da Polícia Civil de São Paulo. O Dipol concluiu ainda o novo organograma da facção, que tem uma centena de integrantes. A informação foi divulgada pelo SBT News e foi confirmada pelo Estadão.
Entre as chamadas sintonias, duas delas são novas: a Sintonia da Internet e Redes Sociais. Há uma 13.ª estrutura, chamada de Setor Raio-X, que não teria o tamanho de uma sintonia – setor do PCC responsável por determinada ‘missão’ da facção no mundo do crime.
A Sintonia da Internet, segundo a Inteligência da Polícia de São Paulo, “gerencia as comunicações online, coordenando contatos entre membros por aplicativos, redes sociais e e-mails criptografados”. O objetivo dessa ala é garantir a “segurança e discrição nas trocas de mensagens”.

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Esse setor cuidaria ainda da difusão de ideias e princípios do grupo, “mantendo a unidade ideológica e simbólica da facção, mesmo entre integrantes distantes”. A sintonia também fiscaliza o uso das redes sociais, controlando “o que circula dentro do grupo, ou seja, monitora publicações ou comunicações que possam expor a organização”. A sintonia oferece aos membros da facção “suporte digital e de informação”, funcionando, segundo o Dipol, como “núcleo técnico e de comunicação”.
De acordo com os policiais do Dipol, a nova sintonia teria como chefes os presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino. Eles responderiam diretamente à Sintonia Final, a cúpula da facção que conta como líder máximo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
O quadro da Sintonia Final contaria ainda com outros 15 integrantes, entre eles Júlio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, e Cláudio Barbará da Silva, o Barbará.
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Dos 15, apenas um não estaria preso. Trata-se de Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão. “É o comando central, enquanto as outras sintonias são ramificações que aplicam suas decisões de forma regional, restrita ou operacional”, afirma o Departamento de Inteligência Policial.
Já o Setor do Raio X é uma estrutura de fiscalização interna, espécie de Corregedoria do PCC, responsável por fazer auditorias nas contas de cada setor da facção. Ela teria sido criada para, segundo o Dipol, “inspecionar, investigar e avaliar o comportamento dos integrantes da organização”. Segundo o organograma da facção, esse setor seria chefiado por Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.
Abaixo da Sintonia Final está a Sintonia do Sistema. De acordo com o documento, este setor é um “nível estratégico da liderança do PCC, mas com atuação dentro do sistema prisional”.
De acordo com os policiais, enquanto a Sintonia Final cuida de toda a organização, incluindo operações externas, a Sintonia Final do Sistema se “concentra em garantir que as decisões da Sintonia Final sejam implementadas e obedecidas nas prisões”.
Em seguida, surge a Sintonia Restrita, que é um núcleo seleto da organização, lidando com assuntos “mais sensíveis e confidenciais” da facção. Entre seus integrantes estariam André Luiz Meza Costa, o Pleiba, e Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha. Ela contaria ainda com um “braço tático”, do qual fariam parte André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão, e Ivan Garcia Arruda, o Degola, que foi preso.
Em seguida, na hierarquia, surge a Sintonia dos Estados e Países, responsável pela expansão e pelos negócios da facção fora de São Paulo e do Brasil. Abaixo dessas estruturas está a Sintonia do Progresso. “Ela atua como motor de desenvolvimento interno e expansão do PCC, garantindo que a facção cresça de forma organizada, sustentável e lucrativa”, diz o documento. A ‘Progresso’ cuida principalmente do tráfico de drogas, dizem investigadores.
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Abaixo delas estão as Sintonias da Rua e a Interna. A da Rua tem a missão de manter “a organização, disciplina e operações em sua área específica (ruas, bairros ou setores de presídios), garantindo que a estratégia definida pela liderança central seja cumprida pelos integrantes que executam ações no dia a dia”.
Já a Interna deve manter a “estrutura de comando responsável pelo controle das operações dentro do sistema prisional e das unidades controladas pelo PCC”. Segundo o Dipol, ela é “espinha dorsal operacional do PCC dentro das prisões e territórios controlados, garantindo que a disciplina e a hierarquia sejam respeitadas”.
Por fim, os policiais detectaram ainda Sintonia da Padaria, que é o setor financeiro do PCC. Segundo o Dipol, ela seria “ligada à parte financeira e logística da facção; é a produção e circulação de recursos financeiros, especialmente a arrecadação e a movimentação de valores obtidos de contribuições internas ou atividades ilegais”.
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O documento lista ainda uma sintonia específicas da Baixada Santista, ligada ao tráfico local e ao internacional.
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Por fim, os policiais tratam da Sintonia dos Gravatas, que reúne o departamento jurídico da facção e a Sintonia ou ‘Quadro dos 14’. Este seria uma “instância de elite dentro da estrutura do PCC, logo abaixo de sua cúpula”.
De acordo com os policiais, o Quadro dos 14 responde diretamente à instância máxima do PCC. Eles são responsáveis por decisões de caráter estratégico e disciplinar. “Funciona como uma instância deliberativa para julgar, sancionar e fiscalizar o cumprimento das normas dentro da facção, especialmente no âmbito ‘das ruas’ e nos territórios de atuação.”
E teriam relação com atentados como o que matou o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes. Entre os sete integrantes do grupo listados pelo documento está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso em janeiro sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato de Fontes.
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O trabalho dos policiais constatou que 61 dos cem integrantes da cúpula estão presos. Os policiais listaram ainda aliados da facção, como os traficantes de drogas Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, e Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira ou Berlusconi.
E, pela primeira vez, um empresário aparece como associado à facção. Trata-se de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, um dos principais acusados de fraudes bilionárias no mercado de combustíveis. Investigado pela Operação Carbono Oculto, Primo está foragido. Ele nega ter ligação com a facção.