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BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 25 Jun (Reuters) – Os empresários Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Lemann, e Beto Sicupira estão entre os alvos de mandados de busca e apreensão no âmbito da operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira que investiga uma suposta fraude contábil da ordem de R$54 bilhões na varejista Americanas, que está atualmente em recuperação judicial.
Em nota, sem citar nominalmente alvos da operação, a PF disse que cumpre mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo buscas pessoais, e que a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$54 bilhões.
“Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, disse a PF no comunicado.
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“As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa”, acrescentou.
Paulo Alberto é filho de Jorge Paulo Lemann, cuja família figura entre uma das mais ricas do Brasil, segundo a lista divulgada pela revista Forbes.
Uma outra fonte com conhecimento da apuração disse que a investigação apura a participação de acionistas de referência da Americanas, representantes e funcionários de alguns dos principais bancos privados do país, além de outros ex-funcionários da companhia.
Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, ao lado de Marcel Telles, são os acionistas de referência da Americanas. Paulo Alberto Lemman deixou o conselho de administração da varejista em 2024 em meio a uma reestruturação após a recuperação judicial da companhia.
Procuradas, assessorias de Paulo Alberto e Beto Sicupira não responderam de imediato a pedido de comentário.
Em nota, a Americanas disse não ter sido alvo da operação desta quinta e afirmou ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos.
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“Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, disse uma nota.
A operação desta quinta é a segunda etapa da Operação Disclosure, cuja primeira fase ocorreu em junho de 2024, após a revelação da fraude contábil que levou a Americanas à recuperação judicial, e permitiu um aprofundamento das linhas de investigação iniciais.
Segundo as apurações, conforme uma das fontes, os fatos teriam ocorrido ao longo de vários anos e envolveriam supostas manipulações contábeis destinadas a ocultar a real situação econômico-financeira da empresa. As medidas cautelares têm por objetivo aprofundar a coleta de provas, individualizar as responsabilidades e preservar a possibilidade de reparação de eventuais prejuízos decorrentes dos fatos investigados.
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