Leilão contrata soluções de energia solar, diesel e baterias para áreas do AM e PA

Os projetos somam investimentos de aproximadamente R$ 313 milhões para sua execução

Reuters

Vista aérea da usina solar do Grupo Delta Energia em Três Lagoas/MS (Divulgação)
Vista aérea da usina solar do Grupo Delta Energia em Três Lagoas/MS (Divulgação)

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SÃO PAULO (Reuters) – Soluções híbridas de geração de energia com térmica a diesel, painéis solares e baterias foram contratadas para suprimento eletroenergético de comunidades isoladas dos Estados do Amazonas e do Pará, em leilão realizado pela agência reguladora Aneel e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta sexta-feira.

Ao todo, os projetos somam investimentos de aproximadamente R$ 313 milhões para sua execução.

Previstos para iniciar operação em dezembro de 2027, os empreendimentos do lote I vão atender as localidades do Amazonas de Camaruã, Novo Remanso, Cabori Parauá e Limoeiro. Já o lote III está voltado ao suprimento de Jacareacanga, no Pará. Os contratos negociados têm prazo de 180 meses (15 anos).

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Foram contratadas soluções da empresa Energias do Acre, com térmicas a diesel mescladas com solar, para o lote I, a preço de R$2.729,7 por megawatt-hora (MWh), um deságio de 22% frente ao preço inicial estabelecido.

Já para o lote no Pará, também foi contratado um empreendimento de geração a diesel com solar do consórcio IFX-YOU.ON, com preço de R$1.593,16/MWh, desconto de 46,89%.

Os sistemas isolados são comunidades que, por não estarem conectadas à rede elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN), dependem de geração local para obter energia. Grande parte desses sistemas, concentrados no Norte, são atendidos hoje por termelétricas poluentes, movidas a combustíveis fósseis, subsidiadas por todos os consumidores do país por meio da conta de luz.

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Essa é a primeira licitação do tipo que obrigou que todas as soluções de suprimento tivessem uma participação mínima de 22% de energia renovável ou a gás natural — dispositivo inserido como forma de avançar na descarbonização do atendimento de energia dessas comunidades.

O leilão desta sexta-feira previa inicialmente a oferta de mais um lote, para atendimento de outras comunidades do Amazonas. O Ministério de Minas e Energia decidiu retirá-lo do certame nesta semana devido a incertezas relacionadas ao fornecimento de gás, o que poderia comprometer os projetos de longo prazo para a região.

Diretores da Aneel expressaram nesta semana preocupação com o atendimento das comunidades compreendidas no lote excluído, embora o governo tenha assegurado que trabalharia para garantir a segurança eletroenergética da região.

Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o lote seria postergado até que se tenha segurança do preço do gás, complementando que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estava conduzindo estudos para permitir nova oferta do projeto com base no menor custo para o consumidor brasileiro.