Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro; defesa tenta habeas corpus nesta 4ª

Dono do Banco Master foi preso quando tentava embarcar em jatinho particular; defesa nega risco de fuga

Paulo Barros

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A Justiça Federal do Distrito Federal manteve a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a audiência de custódia realizada na tarde de terça-feira (18). Ele havia sido detido pela Polícia Federal na noite anterior, em São Paulo, quando se preparava para embarcar em um voo internacional.

A defesa informou que pretendia apresentar um pedido de habeas corpus ainda na terça para tentar reverter a decisão. Ainda não há notícia sobre o julgamento do instrumento, e Vorcaro segue detido.

Os advogados solicitaram que Vorcaro permaneça na carceragem da PF em São Paulo por questões de segurança, pedido que ainda aguarda resposta. A juíza que acompanhou a audiência pediu que a corporação informe se há condições de atender à solicitação.

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A defesa argumentou que a prisão preventiva não se justifica porque o Banco Master já teve a liquidação extrajudicial decretada e as buscas autorizadas pela Justiça foram concluídas. Os advogados alegaram também que Vorcaro tinha uma reunião marcada em Dubai com o fundo interessado em comprar o Master e que, por isso, sua viagem não configuraria tentativa de fuga. O grupo mencionou ainda vínculos familiares no Brasil.

Investigadores ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, porém, relatam que o jato particular em que Vorcaro embarcaria tinha como destino final Malta, e não Dubai, o que reforçaria a hipótese de fuga. Também não ajuda o fato de o Ministério Público Federal e a Polícia Federal terem identificado desvios bilionários envolvendo operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Segundo documentos da investigação obtidos pelo jornal, o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Master sem justificativa, incluindo R$ 6,7 bilhões em contratos considerados falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios referentes à suposta valorização das carteiras. As transferências teriam ocorrido antes mesmo do anúncio da intenção de compra do Master, em março, e continuado até maio deste ano.

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Ainda de acordo com a reportagem, investigadores afirmam que houve vazamento prévio da ordem de prisão e da intenção do Banco Central de liquidar o Master. Alertado, Vorcaro teria acelerado a simulação de uma negociação internacional para justificar uma saída rápida do país. A reunião da diretoria do BC que decidiu pela liquidação ocorreu na segunda-feira (17); os votos são sigilosos.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)