Faculdades privadas vão à Justiça contra Enamed e apontam “inconsistências” no exame

Anup afirma que a base de dados usada pelo Inep diverge da informada às instituições, pede que só valham os dados do e-MEC e critica critérios que podem gerar sanções a cerca de 100 cursos de medicina

Reuters

(Pixabay/Pexels)
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A Associação ‍Nacional das Universidades Particulares (Anup) afirmou nesta ⁠terça-feira que voltou a acionar a Justiça após a ‍divulgação do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) mostrar cerca de 100 cursos de medicina em ‌todo o país com desempenho insatisfatório.

A entidade explicou que tomou a decisão após confirmação de divergências entre os dados de insumo disponibilizados pelo Ministério da Educação às Instituições de Ensino Superior, em dezembro, e aqueles posteriormente utilizados pelo Instituto ‌Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), na ‌divulgação dos resultados e encaminhados à imprensa.

Em nota às instituições participantes do Enamed 2025, o Inep admitiu que foi identificada uma inconsistência na base dos insumos disponíveis no Sistema e-MEC.

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A Anup tentou barrar na Justiça ‌a divulgação dos resultados com ação na semana passada, mas o pedido foi negado e os dados foram ​divulgados na segunda-feira.

‘A existência de bases de dados divergentes reforça o entendimento da Anup de que o Enamed, em sua edição inaugural, necessita de mais tempo para consolidação técnica e institucional antes de produzir efeitos regulatórios e sancionatórios’, afirmou a associação nesta terça-feira.

Na véspera, as ações de empresas de educação na bolsa paulista recuaram após a divulgação do resultado do Enamed. Nesta terça-feira, tinham sinais divergentes. Analistas ​já tinham antecipado ⁠a possibilidade de ⁠litígio envolvendo o exame.

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A Anup disse que solicitou ao Judiciário que sejam ‌considerados exclusivamente os dados oficiais disponibilizados às instituições por meio do sistema e-MEC, bem como a revisão de critérios que impactam diretamente a avaliação, como a ‍inclusão de estudantes do 11º período e a incoerência entre os conceitos do Enamed e do ​Exame Nacional de Residência (Enare).

‘A ‌entidade compreende que a condução da edição de 2025 está marcada por ‍inconsistências relevantes que precisam ser sanadas para garantir segurança jurídica, isonomia e aderência dos resultados à realidade dos cursos. Por esse motivo, a Anup seguirá adotando as medidas administrativas e judiciais cabíveis, sempre de forma responsável e institucional.’

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