Ex-presidente do BRB mostrou preocupação com ‘quebra’ do Master

Paulo Henrique Costa disse em depoimento ser necessário ganhar tempo para trocar carteiras de crédito

Viatura da Polícia Federal estacionada em frente ao Banco de Brasília (BRB), durante operação em Brasília em 18/11/25 sobre Master (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)
Viatura da Polícia Federal estacionada em frente ao Banco de Brasília (BRB), durante operação em Brasília em 18/11/25 sobre Master (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)

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Uma anotação apreendida pela Polícia Federal (PF) no BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, revela a preocupação com uma possível quebra do Master por parte do ex-presidente da instituição estatal Paulo Henrique Costa.

A inscrição fazia referência a uma reunião para discutir a compra de carteiras de crédito da instituição privada pelo banco público. A anotação foi citada durante depoimento de Paulo Henrique à Polícia Federal (PF), no fim do ano passado.

No depoimento, a PF questiona sobre a anotação. O texto dizia, segundo a PF: “Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar”.

A anotação foi apreendida pela PF em novembro do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Compliance Zero, dois meses após o Banco Central ter rejeitado a venda do Master para o BRB. A compra de carteira do Master vinha ocorrendo desde o segundo semestre de 2024. Durante a análise do processo, o BC apontou suspeita de fraude em volume de R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB e determinou a substituição dos ativos.

Indagado pela PF sobre a anotação, Costa disse que a sua declaração “não seria uma afirmação de salvamento”.

“O que estava acontecendo nesse momento era a substituição de carteiras e a gente precisava, sim, ganhar tempo para que aquela substituição de carteira acontecesse”, afirmou.

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Segundo trecho do depoimento, Costa acrescentou: “No meu papel de zelar pelo BRB, eu precisava ganhar tempo para que a gente pudesse substituir as carteiras”.

Em outro trecho do depoimento, Costa deu explicações sobre o negócio com o Master. Ele disse que quando assumiu o BRB em 2019 o banco estava estagnado no mercado, com atuação limitada, e viu oportunidade para a instituição ampliar a atuação, para além de Brasília.

O ex-executivo do banco público citou a atuação do Master no nicho de média e grande empresa e no mercado de capitais, áreas em que o BRB não entrava de forma competitiva.

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A operação de compra do Master foi anunciada em março por R$ 2 bilhões. Durante o desenrolar das negociações e suspeitas de fraude nas carteiras do Master, foram retirados do negócio mais de R$ 50 bilhões em ativos.

O Master foi liquidado pelo BC em 18 de novembro e o dono do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso. Atualmente, usa tornozeleira eletrônica.