Com investimento chinês, Brasil terá maior ponte da América Latina; conheça o projeto

Obra de R$ 11 bilhões na Bahia terá 12,4 km de extensão sobre o mar, promessa de gerar milhares de empregos e reduzir em 40% o tempo de viagem entre Salvador e Itaparica

Jonathas Costa

(Imagem: Divulgação)
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A Bahia se prepara para receber uma das maiores obras de infraestrutura da história do país. A Ponte Salvador-Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, será a maior da América Latina e uma das mais extensas do mundo quando concluída.

O consórcio responsável confirmou que a construção começa em junho de 2026, após a conclusão do projeto executivo e da plataforma provisória no ano anterior. O investimento total é de R$ 11 bilhões.

O empreendimento chama atenção não apenas pelo impacto de mobilidade, mas também pela participação internacional: a obra será conduzida por um consórcio formado pelas gigantes chinesas China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC). Os grupos estão entre os maiores do mundo no setor de infraestrutura e venceram o leilão do projeto em dezembro de 2019, firmando contrato com o governo baiano no ano seguinte.

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A grandiosidade da ponte

Com 12,4 quilômetros de extensão sobre lâmina d’água, a Ponte Salvador-Itaparica superará todas as atuais do continente em comprimento. A estrutura foi projetada em três trechos:

O projeto é comparável a referências globais: a ponte terá extensão próxima à da Vasco da Gama, em Portugal (12,3 km), e só ficará atrás de estruturas gigantes como a Ponte Incheon, na Coreia do Sul (21,3 km).

Além da ponte principal, haverá pistas duplas em ambos os sentidos, com duas faixas de rolamento por sentido e uma terceira inicialmente usada como acostamento. A dimensão estrutural é tamanha que, sozinha, a ponte será capaz de alterar a dinâmica logística de toda a Bahia.

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A ponte também contará com iluminação cênica em toda a sua extensão.

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Obras viárias complementares

O projeto não se limita à ponte. Ele envolve a criação de um novo sistema rodoviário regional:

Essas intervenções vão reduzir em cerca de 250 km a distância entre Salvador e a ilha, diminuindo em mais de 40% o tempo de viagem. Além de facilitar o deslocamento para o Recôncavo e o Sul do estado, a ponte criará um corredor direto para as BR-101, BR-116 e BR-242.

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Impactos também são gigantes

Um projeto desta magnitude também gera impactos proporcionais. Segundo a concessionária, serão beneficiados diretamente 10 milhões de pessoas em 250 municípios. Estão previstas 7 mil vagas de emprego durante a obra, com prioridade para trabalhadores locais.

Na etapa de sondagem já foram contratadas mais de 17 empresas baianas, responsáveis por cerca de 300 empregos diretos e indiretos.

Apesar da expectativa, o projeto também foi marcado por polêmicas e negociações prolongadas. A assinatura do contrato só ocorreu após a intermediação do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), que homologou uma proposta de conciliação entre o governo e a concessionária responsável.

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O acordo envolveu meses de debates até ser aceito por todas as partes, além da previsão de um aporte bilionário em garantias, aprovado pelo Senado, para viabilizar o fundo que assegura a execução da obra.

O processo preparatório do projeto de construção envolveu estudos de batimetria, geofísica, arqueologia, tráfego e impactos culturais, além de mapeamento de comunidades tradicionais e pesquisa ambiental. Em março de 2025, foi concluída a etapa de sondagem na Baía de Todos os Santos, com investimento de R$ 200 milhões.