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Os indícios de percepção de vantagens indevidas pelo ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o servidor Bellini Santana foram identificados durante uma revisão interna de processos relacionados à fiscalização e à liquidação do Banco Master, afirmou a autarquia nesta quarta-feira (4).
Em nota divulgada após a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, o BC confirmou que afastou cautelarmente os funcionários do exercício de suas funções e suspendeu imediatamente o acesso deles às dependências e sistemas da autarquia assim que descobriu as irregularidades.

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Segundo o banco, em seguida foram instaurados procedimentos correcionais para apuração dos fatos e os indícios de possível prática de crimes foram comunicados à Polícia Federal.
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“A respeito da deflagração da 3ª Fase da Operação Compliance Zero, o Banco Central declara sua convicção de que o trabalho desenvolvido pela Polícia Federal representa um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”, afirmou a autarquia.
O BC acrescentou que eventuais irregularidades serão tratadas conforme a legislação, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
Mais cedo, a Polícia Federal realizou buscas contra os dois servidores. Souza comandou a diretoria de Fiscalização do BC entre 2019 e 2023 e assinou a autorização para a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, que posteriormente rebatizou a instituição como Banco Master. Já Santana atuava na área de supervisão bancária e chegou a ser apontado no passado como possível candidato à diretoria de fiscalização do órgão.
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Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os dois teriam recebido pagamentos de Vorcaro para auxiliar o Banco Master a lidar com a fiscalização do regulador. De acordo com as investigações, os servidores teriam repassado informações privilegiadas e ajudado na elaboração de pedidos e estratégias de atuação junto ao BC. 
A PF também afirma que ambos atuariam como uma espécie de “consultores informais” do banqueiro dentro da autarquia. As investigações apontam ainda que pagamentos teriam sido feitos por meio de contratos simulados de consultoria para justificar transferências financeiras aos servidores.
Na operação desta quarta-feira, Souza e Santana foram alvo de busca e apreensão e passaram a usar tornozeleira eletrônica, além de ficarem proibidos de acessar sistemas do Banco Central ou frequentar as instalações da instituição. 
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na mesma operação, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e outros crimes associados.