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A prisão em flagrante de uma advogada pelo suposto crime de difamação gerou forte repercussão nas redes sociais e levou a Ordem dos Advogados do Brasil a cobrar investigação.
Vídeos que mostram a detenção de Áricka Rosalia Alves Cunha dentro do próprio escritório, em Cocalzinho de Goiás, viralizaram nas redes e fizeram o caso ganhar repercussão nacional dias após o episódio. A detenção ocorreu na quarta-feira (15) e a profissional foi liberada no mesmo dia após pagar R$ 10 mil de fiança.
Como começou
Em março, a advogada participou de uma mobilização para pedir à prefeitura obras de manutenção viária. Após divulgar a ação, recebeu uma ofensa em rede social e registrou boletim de ocorrência.
No dia 26 de março, o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos determinou o arquivamento provisório do registro, justificando a medida até a redução de procedimentos ativos na unidade ou aumento do efetivo, conforme documentos divulgados pela própria advogada.
Depois, ela publicou críticas à decisão e anexou trecho do despacho; segundo o UOL, na postagem a advogada não citou o nome do delegado.
A prisão e as versões
Após as publicações, o delegado foi ao escritório da advogada armado com um fuzil e deu voz de prisão à ela por suposta difamação. Em vídeos que circularam nas redes, ela aparece sentada e resiste a se levantar durante a abordagem. O delegado afirmou que houve também desacato, injúria e desobediência no momento da condução, e justificou o uso de algemas.
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Ao comentar o caso, o delegado afirmou que “ninguém está acima da lei”. “Não pode haver desobediência ou ofensas sem consequência”, completou.
A advogada nega ter difamado o delegado. Em entrevista à TV Anhanguera, afiliada da Globo, ela garantiu que não o mencionou na postagem: “Eu não falei mal da pessoa dele. Eu simplesmente divulguei o ocorrido, o despacho de que foi arquivado”.
Ela foi conduzida para a delegacia e no local chegou a ser algemada. A defesa também relatou que a soltura só ocorreu após seis horas de espera para o pagamento da fiança, que foi estipulada em R$ 10 mil e, segundo a advogada, com a exigência de acerto do valor obrigatoriamente em espécie.
Reações e apuração
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás informou ter adotado medidas institucionais. O Sistema de Defesa das Prerrogativas instaurou procedimento e formalizou representações por possível abuso de autoridade junto ao Ministério Público, além de comunicar a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública.
A Procuradoria de Prerrogativas atua para buscar a nulidade do flagrante, conforme nota da entidade. A União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito (UNAA) também protocolou requerimento na Corregedoria da Polícia Civil para apuração do caso na sexta-feira (17).
Em nota, a Polícia Civil de Goiás informou ao g1 que o fato foi encaminhado à Superintendência de Correições e Disciplina, que apura o ocorrido.
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