Tarifaço: Apex vai ter presença em Washington, mas também buscar novos mercados

Presidente da Apex diz que batalha para tirar mais alguns setores do tarifaço mas também tenta abrir novos mercados

Marina Mota Silva

Jorge Viana, presidente da Apex. Foto: Marina Mota Silva
Jorge Viana, presidente da Apex. Foto: Marina Mota Silva

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Correção: Diferente do que foi publicado anteriormente, Jorge Viana é presidente da Apex Brasil e não da Amcham. A informação foi corrigida às 18h40.

“Estamos numa luta setor por setor, para tentar retirar mais alguns itens da tarifa de 50%”, afirmou o presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, no dia em que o tarifaço de Donald Trump entra em vigor. Ele acrescentou que a agência terá uma presença em Washington para contribuir com as negociações.

O Brasil tem em torno de 9 mil empresas que exportam para os Estados Unidos, de acordo com dados da própria Apex. “Estamos fazendo um trabalho, promovendo missões para negociar a exportação do que não for absorvido para os Estados Unidos. E tentando direcionar para novos mercados”, afirma.

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Viana lembra que o Brasil não agiu com retaliações. “Desde o anúncio do tarifaço, o Brasil não retaliou, o governo está muito tranquilo na negociação. A única coisa que o Brasil fez foi acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC)”, acrescentou.  

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O café Brasileiro, por exemplo, representa o maior volume das importações americanas e ficou na tarifa mais alta. Um terço do café consumido nos Estados Unidos sai do Brasil, responsável por uma cadeia produtiva que chega a 1,2% do PIB americano.

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A carne é outro setor que preocupa. O Brasil exportou centenas de toneladas de carne no ano passado. Boa parte é carne moída para fazer hambúrguer, já que a carne americana é muito gordurosa e o Brasil exporta a carne dianteira, que é mais magra.

“Seria normal sentar agora com governo brasileiro para tratar exclusivamente de comércio, porque o consumidor americano vai pagar mais sobre a carne, a partir de hoje. Obviamente os setores vão absorver isso, tornando o produto mais caro nos Estados Unidos”, acrescenta

Além de café e carne

Questionado pelo InfoMoney sobre as exportações de frutas e calçados, Viana disse que nos dois casos, além da negociação com os Estados Unidos, o Brasil também trabalha para diversificar mercados.

No caso do calçado, a Apex está trabalhando para conquistar novos mercados como Holanda, Argentina, Guatemala e Colômbia. Segundo Viana, o Brasil já exporta cerca de U$ 150 milhões de dólares para a Ásia. O que não for absorvido pelos Estados Unidos, vamos tentar direcionar para outros mercados.

Já 13% da produção de manga é destinada aos Estados Unidos e este é um produto altamente perecível. Segundo Viana, a Apex também busca, neste caso diversificar mercados, como por exemplo, para Europa, Reino Unido, Alemanha e Canadá. Mas ele admite que as empresas vão precisar de ajuda, que deve estar presente no pacote do governo, enquanto negocia novos mercados.

De acordo com Viana, o Brasil está em negociações com China para diversificar produtos. Hoje, a China compra, basicamente, minério, carne e soja. O presidente da Apex acredita que novos negócios vão surgir, já que a China está solidária com o Brasil e se colocando para abertura de novos mercados.

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Outra estratégia é fazer contatos com governos locais americanos, numa estratégia de negociação de abrir o diálogo com algumas entidades, agora com os fatos consumados. “Mas isso depende do interesse dos Estados Unidos e do nosso” afirma.

O governo brasileiro está prestes a lançar pacotes de medidas para empresas que sofrem danos econômicos. A Apex, segundo Viana, ajuda a diversificar os mercados. Mas, ele acrescenta, existe uma questão política com pessoas atuando nos Estados Unidos e prejudicando as negociações.