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Crescimento da energia solar no quintal do carvão mostra forma barata de superar blecautes

Experiência da África do Sul mostra como a energia renovável está se espalhando no mundo em desenvolvimento

Energia solar - Bloomberg
(Bloomberg)

(SÃO PAULO) – Perto de uma mina enorme de minério de ferro no Cabo Setentrional, quase 320.000 painéis fotovoltaicos montados para seguir o sol cobrem a terra cor de ferrugem. A desenvolvedora espanhola Acciona SA construiu o projeto solar Sishen, de 94 megawatts, em aproximadamente 16 meses em uma das regiões onde o sol se sente mais forte no país.

Na África do Sul, a quinta maior produtora de carvão, que é queimado para gerar a maior parte da eletricidade do país, as energias solar e renovável estão crescendo rapidamente. As alternativas atraíram 193 bilhões de rand (US$ 14,4 bilhões) em investimentos desde 2011, ajudando o governo a reduzir os blecautes. Duas usinas de queima de carvão aprovadas pela primeira vez em 2007, que agora custam US$ 17 bilhões, ultrapassaram seu orçamento e estão mais de sete anos atrasadas.

A experiência da África do Sul mostra como a energia renovável está se espalhando no mundo em desenvolvimento, abrindo novos mercados com uma reputação de conveniência e custos em queda. Isto está desafiando o ponto de venda tradicional para o combustível fóssil, que é mais utilizado e se gaba de ser a forma mais simples de impulsionar a oferta de energia.

“Antigamente, todos nós olhávamos para a energia limpa e pensávamos: ‘Bom, isso é genial, mas é muito caro, e é para os ricos’”, disse Karen Breytenbach, diretora do escritório do Independent Power Producer, um programa fundado pelo governo para procurar energia de fontes privadas. “Nós mudamos o mercado de energia limpa muito cara para energia acessível”.

Problemas

Os problemas para colocar as usinas de carvão em funcionamento são emblemáticos das dificuldades do setor no mundo inteiro. Os preços do carvão despencaram 50 por cento desde o começo de 2011, empurrando mais de três dúzias de companhias mineradoras, entre elas a Patroit Coal Corp. e a Alpha Natural Resources Inc., para a falência. Enviados de mais de 190 países, entre eles a África do Sul, tentarão chegar a um acordo histórico em Paris em dezembro para limitar as emissões de combustíveis fósseis em todo lugar, o que sugere mais regulamentações contra o carvão.

Enquanto isso, as instalações de energia renovável estão crescendo rapidamente na África do Sul e em outras partes do mundo em desenvolvimento. Em abril, a ministra de Energia, Tina Joemat-Pettersson, acelerou o programa, que segue o Plano Nacional de Desenvolvimento do país. Os leilões começaram em 2011 sob uma estrutura desenhada pelo governo com os desenvolvedores e bancos.

Tendo começado quase sem projetos fotovoltaicos na escala de uma usina em 2010, agora a África do Sul conseguiu uma capacidade solar de mais de 1.000 megawatts, um pouco a mais da produzida por um reator nuclear. Em vez de oferecer incentivos fixos na forma de tarifas do tipo “feed-in” como a Alemanha fez, a África do Sul desenhou um processo de licitações competitivas para que os desenvolvedores ofertem pelos projetos de energia renovável.

A Índia e o Brasil também estão utilizando leilões como os da África do Sul para impulsionar a capacidade da energia renovável. Para 2040, US$ 12,2 trilhões serão investidos na geração de energia no mundo inteiro, 78 por cento deles em países com mercados emergentes e dois terços do total em energia renovável, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

O carvão continua sendo a fonte dominante de energia da África do Sul, e responde por 88 por cento da eletricidade fornecida no primeiro semestre do ano, segundo o Council for Scientific and Industrial Research, um grupo de pesquisa com sede em Pretória. Juntas, a energia solar e a eólica representaram 1,8 por cento.

Competitividade

Graças à competitividade das suas rodadas de ofertas, a África do Sul reduziu as taxas da energia solar de 3.288 rand para 786 rand por megawatt-hora, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Apesar das reduções das taxas, o programa de obtenção está “bem planejado” e é previsível, disse Rafael Mateo, CEO da unidade de energia da Acciona, em uma visita ao projeto da sua companhia. Ele projeta voltar a ofertar nos sucessivos leilões de energia renovável.

“Significa um bom exemplo de como impulsionar a energia renovável como parte da solução para a atual crise de energia da África do Sul”, disse Mateo.

Por Paul Burkhardt

 

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