B2W terá seus dias de Magazine Luiza? O melhor ainda pode estar por vir para a ação que sobe 120% este ano

A B2W e Lojas Americanas divulgam seus balanços do 3° trimestre após o fechamento deste pregão 
Blog por Paula Barra  

SÃO PAULO - Passado o furacão Magazine Luiza (MGLU3), que mais uma vez surpreendeu o mercado - a expectativa já era alta, mas os números vieram ainda melhores (veja aqui) -, a atenção volta-se para outra empresa do e-commerce brasileiro: a B2W (BTOW3).

A varejista online foi por anos o calcanhar de Aquiles da Lojas de sua controladora, a Lojas Americanas (LAME4), mas parece ter deixado o pior para trás. 

Os sinais positivos vêm principalmente da percepção de que a empresa, dona de sites como Submarino, Americanas.com e Shoptime, está no caminho certo para finalmente parar de torrar caixa - uma perspectiva que puxou os papéis da empresa para alta de 119% este ano. Ambas as empresas, a B2W e Lojas Americanas - que entraram como duas das quatro novidades da Carteira InfoMoney de novembro que será revelada na próxima quarta-feira (8/11) às 14h45 neste link - divulgam seus resultados do 3° trimestre após o fechamento deste pregão.

Para analistas do Itaú BBA, a B2W deve reduzir sua queima de caixa de R$ 500 milhões um ano antes para menos de R$ 50 milhões neste trimestre. Já o BTG Pactual aponta para um número negativo de R$ 26 milhões. As expectativas corroboram para a tendência já vista no 2° trimestre, quando a empresa queimou "apenas" R$ 348 milhões, contra R$ 1,07 bilhão no primeiro trimestre. 

"Embora o risco de execução ainda possa impedir o sucesso completo (ou mais rápido) da estratégia da B2W, vemos a empresa como uma das vencedoras potenciais para se beneficiar crescimento secular do e-commerce nos próximos anos, alavancando sua escala, marca, altos níveis de serviço, forte tráfego orgânico e o potencial sucesso da sua plataforma de marketplace", apontam os analistas Fabio Monteiro e Luiz Guanais, do BTG Pactual. Para eles, apesar da alta recente das ações, "o melhor ainda está por vir".

Eles esperam que a estratégia da empresa de aumentar a penetração no marketplace continue no 3° trimestre, com claros sinais de que estão na direção certa. A projeção é que o GMV ('gross merchandise value', ou venda bruta de mercadorias próprias) do marketplace atinja 35% do GMV total, contra 19% vistos no mesmo período de 2016. 

"Devido ao aumento na penetração do marketplace no GMV total, esperamos um crescimento de margem bruta de 30 pontos-base na comparação anual, apesar de uma contribuição negativa do B2C (com a margem bruta caindo 200 pontos-base no período)", comentaram. O Itaú BBA também aponta para um crescimento de 40 pontos-base na margem bruta da empresa, impulsionado pela aumento de participação do marketplace. 

Reflexos na Lojas Americanas
Se os números das lojas físicas da Lojas Americanas não devem ser um grande driver no período, as perspectivas positivas para a companhia se firmam, principalmente, em dois fatores: 1) cenário de Selic baixa, que tem um efeito importante sobre a operação da empresa; 2) números melhores da B2W. "Esses dois pontos corroboram para a nossa visão positiva no longo prazo", comentam os analistas Fabio Monteiro e Luiz Guanais, do BTG Pactual. Mesma leitura acompanha a análise do Itaú BBA: "um trimestre sem inspiração para Lojas Americanas; todos os olhos para a B2W". 

Segundo o BTG Pactual, os números da divisão B&M (termo que corresponde a lojas físicas) da Lojas Americanas deve vir sem brilho no período, mas o destaque fica com a última linha do balanço, que deve ser beneficiada por uma alavancagem menor (graças ao follow on, ou oferta subsequente de ações, realizado no 1° trimestre de 2017), menores custos de financiamento e melhores resultados na B2W.

A média das projeções dos analistas consultados pela Bloomberg aponta que a Lojas Americanas vai conseguir reverter um prejuízo de R$ 70,6 milhões um ano antes em lucro líquido ajustado de R$ 77,4 milhões no 3° trimestre deste ano. A receita líquida, por sua vez, deve crescer 6,6%, para R$ 4,23 bilhões. Para a B2W, a estimativa indica um prejuízo líquido de R$ 79,25 milhões no período, frente perdas de R$ 145 milhões um ano antes. Já a receita líquida deve cair 10,3%, para R$ 1,853 bilhão. 

Veja abaixo as estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg:

Lojas Americanas

Números - em R$ milhões  3T17E* 3T16 3T17E/3T16
Receita Líquida 4.230 3.966,2 +6,6%
Ebitda Ajustado 666,3 594,5 +12,07%
Margem Ebitda Ajustada 15,75% 15% +0,75 p.p.
Lucro Líquido Ajustado 77,40 (70,6) -
*Projeção dos analistas consultados pela Bloomberg

B2W

Números - em R$ milhões  3T17E* 3T16 3T17E/3T16
Receita Líquida 1.853 2.065 -10,26%
Ebitda Ajustado 163,6 141 16,02%
Margem Ebitda Ajustada 8,8% 6,8% + 2 p.p.
Lucro Líquido Ajustado (79,25) (145) -
*Projeção dos analistas consultados pela Bloomberg

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br