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4 razões para não se preocupar com a nova regra do FGC

Essa semana o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) anunciou que só pagará as garantias para um teto de até 1 milhão de reais. E agora?

Dinheiro seguro
(Jakub Krechowicz)

Nessa semana o FGC soltou uma notícia que deixou muita gente inconformada: agora a garantia do fundo será limitada ao pagamento de até 1 milhão de reais!

Recebi algumas mensagens dizendo: “Uma vitória dos grandes bancos!” Ou pior: “É fim das corretoras”!

Isso me gerou algumas indagações...

Será que essa mudança nas regras do FGC é assim tão importante mesmo?

Será que os investidores que ficaram indignados com a mudança serão afetados de alguma forma com a mudança?

E principalmente, será que agora deixou de valer a pena investir em corretoras e instituições independentes?

A resposta resumida é um curto e grosso NÃO!

Por isso descrevo abaixo as 4 razões pelas quais a mudança na regra do FGC não é nem de perto uma tragédia tão grande assim.

1) A proteção individual se mantém. Valor total limitado temporariamente.

A questão é bem mais simples do que parece: você ainda continuará tendo proteção de até R$ 250 mil para cada CPF e instituição financeira que investir!

Essa regra continuará intacta e todo seu dinheiro aplicado até R$ 250 mil em qualquer instituição terá o direito a garantia como sempre foi.

Mas então o que muda?

Bom, para você não receber o pagamento de alguma instituição que quebrar, terá que ter o azar (para não dizer a irresponsabilidade) de investir R$ 250 mil em mais de 4 bancos falidos!

Ou seja, se hipoteticamente você investir R$ 1 milhão em CDBs de 4 bancos diferentes (R$ 250 mil em cada) e todos eles quebrarem, você ainda receberá todo seu dinheiro de volta!

Já o 5º banco ficará por sua conta...

E tem mais: Se esses bancos não quebrarem todos juntos, você também não estará desprotegido. Afinal, a cada 4 anos o limite de pagamento se renova, parecido com o que ocorre com a pontuação da sua CNH, por exemplo.

Portanto, se nessa hipótese os bancos que você investiu quebrassem um a cada ano, quando chegasse a vez do 5º você já terá renovado R$ 250 mil da sua garantia e teria assim todo seu dinheiro protegido!

Aliás, se algum dia quebrarem 5 bancos de uma vez em uma crise absurdamente profunda (algo como foi o subprime nos EUA), não haverá FGC que consiga bancar o estrago...

2) Nova regra válida apenas para novas emissões

Se mesmo assim você não se convenceu sobre os pontos que destaquei acima, não precisa se preocupar. Tudo que você investiu até agora continuará sendo protegido como antigamente.

Afinal a nova regra só passará a valer para os investimentos que forem feitos após a sua aprovação oficial.

Aprovação essa que inclusive ainda não está certa, dado que ela precisará passar pelo crivo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Sim, provavelmente a nova regra será aceita, mas se essa é realmente uma preocupação sua, então até lá aproveite para fazer qualquer investimento que achar necessário.

3) Investidor consideravelmente conservador! Ou não?

Agora pensando em termos um pouco mais práticos.

Investidores que aplicam mais de R$ 1 milhão apenas títulos de emissão bancária (como CDBs, LCIs, LCAs, Letras de Câmbio, etc.), provavelmente são investidores bastante conservadores.

Afinal de contas, mesmo para o investidor avesso à renda variável existe uma enorme gama de alternativas mais rentáveis de renda fixa como debêntures, fundos DI e de crédito privado, CRI, CRA, entre outros.

No Brasil existem milhares (literalmente) de fundos disponíveis e alguns deles como o CSHG INCOME FIC FIRF CP, o CA INDOSUEZ VITESSE FI RF CP ou o BTG PACTUAL CREDITO CORPORATIVO I FIC FI RF CRÉDITO PRIVADO entregam rendimentos de até 117% do CDI, com seu dinheiro diversificado e permitindo resgates com liquidez diária!

Isso sem falar em opções de renda fixa até mais seguras de se investir, como os próprios Títulos Públicos!

Então que tipo de investidor conservador em sã consciência vai aplicar mais de R$ 1 milhão em bancos quebrados ou de alto risco?

E mesmo que esse investidor prefira emissão bancária por sua familiaridade com esses títulos, ele ainda poderá sempre investir em instituições com elevada solidez e avaliação do melhor risco possível (AAA).

E novamente, especialmente em um mercado extremamente concentrado como o brasileiro, se um dos bancos grandes quebrar, esqueça o FGC!

4) Quem investe mais de R$ 1 milhão de reais em emissão bancária?

Infelizmente ainda vivemos em um país em desenvolvimento, relativamente pobre, com renda média de menos de US$ 10 mil ao ano...

Portanto, para a esmagadora maioria dos investidores brasileiros, esse sequer vai ser um problema algum dia em suas vidas.

Para ser mais preciso, de acordo com a ANBIMA, atualmente apenas 116 mil clientes se encontram no segmento private (com mais de R$ 1 milhão em patrimônio financeiro).

Você ainda pode dizer: “Ah Felipe, mas ainda assim, são mais de 100 mil pessoas prejudicadas por essa nova regra!”

Bom, primeiro que se a pessoa tem apenas R$ 1 milhão e todo esse dinheiro está em bancos de alto risco, reveja agora mesmo essa sua carteira!

O fato é que na maioria dos casos o investidor que tiver mais de R$ 1 milhão em títulos de banco de alto risco, provavelmente terá muito mais dinheiro diversificado em outros ativos.

Portanto se falarmos de investidores com mais de, por exemplo, R$ 5 milhões em patrimônio financeiro, pode derrubar tranquilamente essa quantidade de investidores pela metade no Brasil.

Em segundo lugar, se algum investidor do segmento private tem mais de 1 milhão de reais aplicados em emissão bancária de alto risco, então precisa rever urgentemente sua assessoria.

E mesmo que esse investidor seja um fanático por emissão bancária e queira aplicar nesse tipo de investimento a todo custo, existe há muito tempo um título criado para isso!

Pergunte ao seu gerente/assessor por DPGE (Depósito à Prazo com Garantia Especial) e seja feliz com uma garantia de até 20 milhões de reais!

5) Então o que fazer?

Se você for um dos investidores que tem mais de R$ 1 milhão em investimentos no mercado financeiro e quer proteger o seu dinheiro, então a palavra chave que deverá sempre seguir é diversificação.

Ainda que você seja um investidor conservador, diversifique seu dinheiro em alternativas diferentes como Títulos Públicos, Debêntures, CRI, CRA, COE e especialmente Fundos de Investimentos (que já fazem esse trabalho por você). Caso não tenha entendido nenhum desses termos, procure seu gerente/assessor e peça maiores esclarecimentos.

Se ainda quiser ganhar um pouquinho mais investindo em bancos de alto risco, poderá continuar fazendo isso sem problemas. Só não se arrisque atoa e se exponha além do novo limite. Simples assim.

Embora eu tenha plena convicção de que o alto risco envolvido nesse tipo de investimento não compensa nem de perto o ganho obtido por apenas alguns pontinhos extras do CDI, conforme expliquei recentemente no meu último texto para a Infomoney.

Se ainda quer saber muito mais sobre as características, nuances e até mesmo alguns truques sobre esse assunto, vale a pena ler o texto completíssimo que escrevi sobre o que é FGC lá no Mais Retorno!

Com isso espero que eu tenha conseguido ajudar a eliminar o “terrorismo” em relação à “vitória dos grandes bancos” e o “fim das corretoras independentes”.

E aí, ficou um pouco mais tranquilo agora? Comente aqui embaixo!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

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Felipe Medeiros

Economista e fundador do site Mais Retorno, também foi um dos criadores dos sites Bolsa Financeira e Melhores Fundos e de outras fintechs ao longo dos últimos 10 anos. Tem como objetivo compartilhar suas experiências e se conectar com outros investidores e entusiastas do mercado.

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