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A melhor oportunidade de investimento atual é o urânio: entenda

Commodity encontra céu de Brigadeiro para se valorizar em meio ao aumento da demanda da China e queda na produção do mundo todo

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

urânio
(Shutterstock)

A história continua melhorando. Ontem, a Orano, empresa francesa e terceira maior produtora de urânio do mundo, anunciou mais um fechamento de mina. Agora foi a vez da Cominak, localizada no Níger, que produzia cerca de 2,6 milhões de libras por ano.

Ano passado foram consumidos quase 200 milhões de libras de urânio, enquanto apenas 140 milhões foram produzidos. Como já mencionei várias vezes em artigos e no meu Twitter, o preço do urânio tem que subir pelo menos mais 60% a partir dos atuais patamares, mas não para que novas minas entrem em produção, apenas para evitar que aquelas que ainda estão operando fechem.

O déficit entre a produção e o consumo, que ano passado foi de cerca de 60 milhões de libras, tende a aumentar ainda mais em 2019 e nos anos seguintes, com o fechamento de mais minas e crescimento robusto no número de novos reatores nucleares.

Em 2019, treze novos reatores devem entrar em operação. Essa mesma quantidade deve se repetir também em 2020. Um detalhe importante é que na primeira vez que um reator é ligado, ele necessita de uma carga de combustível três vezes maior que a de um já em operação. Com isso, o impacto da adição de capacidade instalada é ainda maior no aumento do consumo da commodity.

A China, que tem planos de elevar a participação da energia nuclear na sua matriz energética, a fim de reduzir sua dependência do carvão mineral, que responde por mais de dois terços da energia gerada no país, anunciou a construção de 6 a 8 novos reatores por ano pelos próximos 11 anos. Na prática, isso significa que, na pior das hipóteses, 66 novos reatores seriam conectados à rede do país, na melhor delas, seriam 88 – o número mágico deve estar entre esses dois. Isso acarretará uma demanda anual extra de cerca de 70 milhões de libras de urânio, o que representa pouco mais da metade da produção mundial de 2018. Isso tudo apenas para atender a expansão chinesa.

Os planos do gigante asiático merecem ser levados a sério, principalmente se levarmos em conta a história recente. Em 2005, a meta do país era ter 40 GWe de capacidade instalada até 2020. O objetivo foi atingido com quase 3 anos de antecedência. Para 2030, o projeto é elevar para algo entre 120 e 160 GWe.

Para suprir o consumo projetado, impossível com a produção e número de minas atualmente existentes, seria necessário abrir 5 novas minas como a McArthur River, que é a maior do mundo em tamanho e teor de urânio. Ela, por sinal, também está fechada devido aos baixos preços.

As notícias favoráveis continuam aparecendo, os estoques caem diariamente, a produção está sendo cortada e a demanda só faz crescer. Acredito que veremos um destrave de valor a partir desse ano, depois que o presidente Trump proferir sua decisão com relação à investigação da Section 232 nos EUA no que tange ao fornecimento de urânio para as usinas atômicas do país. A partir de então, deveremos ver o início de novas contratações por parte das utilities.

Confesso que nunca vi uma oportunidade de investimento tão boa assim. Observo um enorme desequilíbrio, com demanda robusta e crescente, redução sistemática na oferta e um preço inferior à metade do custo de produção. Somado a isso, o comprador final é praticamente insensível ao custo da commodity, já que o urânio responde por menos de 5% do custo operacional de um reator nuclear convencional. Para mim, investir não fica mais fácil do que isso.

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perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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