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Com alta demanda e baixa oferta, o caminho para o urânio é só um: subir

Oportunidades de investimento assim aparecem poucas vezes na vida. É preciso aproveitar.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

urânio
(Shutterstock)

O mercado de urânio é muito atípico. Com o preço de venda muito abaixo do seu custo, não há incentivos para a produção. Não é que falte urânio no mundo, afinal ele não é considerado raro, mas faltam circunstâncias que propiciem a viabilidade econômica de explorá-lo e processá-lo. Após anos com falta de investimento no setor, a invariável falta de produto vai logo aparecer.

As 10 maiores minas de urânio no mundo são responsáveis por quase 60% da produção mundial. Dessas, 3 merecem menção: MacArthur River, que está fechada; Cigar Lake, que opera em condições extremas e já inundou no passado, causando atrasos na produção e uma disparada no preço do metal; e Olympic Dam, uma mina de cobre em que o urânio não passa de um subproduto.

À medida que os contratos antigos vão vencendo (a maioria termina em 2022), veremos mais e mais minas sendo fechadas ou postas em manutenção, como é o caso de MacArthur River, a maior do mundo e também a detentora da maior concentração de urânio.

A maior parte das minas do mundo só está em funcionamento ainda por causa de contratos antigos, assinados a preços muito superiores aos de atualmente – esses contratos variam de US$ 70/lb até acima de US$ 100/lb, enquanto hoje o preço spot beira os US$ 26/lb.

E a demanda não para de crescer. Na semana passada, a China anunciou a liberação de recursos para a construção de mais 8 reatores nucleares pela primeira vez desde 2016. A boa surpresa fez com que as ações de empresas relacionadas à energia nuclear disparassem.

O gigante asiático, maior vetor de crescimento da energia nuclear, voltou a aprovar a construção de reatores no país e deu força ao seu plano de quadruplicar sua capacidade instalada até 2030. O impacto dessa medida é gigante.

Estamos em um ponto único na história em que a demanda não para de aumentar, a oferta de diminuir e, por causa de uma indecisão (Section 232), os reatores nucleares não estão assinando novos contratos de longo-prazo.

Com isso, o preço que vemos em tela (mercado spot) acaba sendo a referência para várias pessoas que não acompanham o mercado tão de perto. A surpresa para elas virá quando novos contratos forem celebrados a preços muito superiores aos que estão sendo contabilizados hoje.

Uma recomendação pelo Departamento de Comércio dos EUA em relação a uma petição para proteção de mercado é esperada para o dia 14 de abril e, após essa recomendação, o presidente Trump tem até 90 dias para tomar uma decisão. Lembrando que Trump tomou a decisão com relação ao alumínio em menos de 2 semanas.

Os EUA respondem por cerca de um terço da energia elétrica gerada por reatores nucleares no mundo. Tamanha relevância fez com que as utilities suspendessem qualquer negociação de contrato, enquanto não houver uma resolução.

Mas qualquer que seja a decisão, ela abrirá espaço para novas negociações entre mineradoras e utilities e poderemos, então, pela primeira vez em anos, ver onde o preço realmente está.

Essa semana eu almocei com o CEO de uma mineradora que me disse já ter recebido propostas para reativar a mina por US$ 40/lb. Todas foram recusadas. Isso representaria uma alta de quase 60% sobre o preço em tela hoje.

Como as mineradoras são uma “aposta alavancada” no metal, elas tendem a subir múltiplos do que o metal sobe. O upside do negócio é muito alto com pouco downside. Oportunidades de investimento assim aparecem poucas vezes na vida. É preciso aproveitar.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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