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Quem vê pensa que o urânio subiu muito, mas ainda há muito mais espaço para alta

Hoje existem 450 reatores nucleares em operação e outros 50 estão sendo construídos em 15 países pelo mundo

Usina nuclear
(Shutterstock)

Reatores nucleares estão em voga novamente. A necessidade de energia limpa levou o mundo às energias renováveis, como a solar e a eólica. O problema com essas tecnologias é que elas não são baratas nem confiáveis o suficiente para fornecer a maior parte da demanda de um país, por exemplo.

A nuclear é a única fonte que fornece energia limpa, abundante e capaz de suprir a carga-base de uma rede elétrica, além de ser barata e segura.

Hoje existem 450 reatores nucleares em operação e outros 50 estão sendo construídos em 15 países pelo mundo. Destes 50, 13 reatores devem estar prontos este ano e outros 13 em 2020. Além disso, existem 126 reatores planejados e outros 383 propostos.

Esses novos reatores, juntamente com os que já estão em operação, deverão elevar a demanda por urânio ainda mais. Ao contrário do que muitos pensam, energia nuclear é um mercado em crescimento.

Se não acompanhássemos o setor, poderíamos imaginar que o preço da commodity estaria nas alturas e que o mercado já haveria precificado todo esse crescimento – mas não! O urânio está sendo negociado agora a cerca de US$28/lb, enquanto, de acordo com a Agência Internacional de Energia, deveria estar a pelo menos US$60/lb, para que as mineradoras pudessem recuperar seu custo e operar de forma consistente.

Como diz o ditado, a cura para preço baixo é justamente o preço baixo. Depois de atingir a baixa deste ciclo na casa dos US$17/lb, o preço do urânio está agora em alta, tendo subido quase 40% desde as mínimas do ano passado e mais de 60% desde as mínimas de alguns meses antes.

A maioria das pequenas empresas de urânio ou interrompeu as operações, ou desativou as minas ou diversificou para outros minerais, como o minério de ferro, ouro e vanádio, para sobreviver. As grandes finalmente começaram a seguir o mesmo caminho, com a Cameco anunciando no final de 2017 a suspensão da produção de urânio por 10 meses na maior mina do mundo: MacArthur River.

A mina de MacArthur River representa 13% de toda a produção de urânio no mundo. É para o mercado de urânio o que a Arábia Saudita é para o de petróleo.  Podemos imaginar o que aconteceria com o mercado de combustíveis fósseis se os sauditas anunciassem que não produziriam nem sequer um único barril de petróleo por 10 meses. O mercado de urânio, por outro lado, mal se deu conta do anúncio.

Logo após a decisão da Cameco, a Kazatomprom, a maior do setor, também anunciou um corte na produção. Em maio, chegou a vez do Paladin, que é a dona da Langer Heinrich, uma das maiores minas da África, dizer que eles estavam colocando essa mina sob manutenção por um período indefinido de tempo.

Mas o que realmente movimentou o mercado foi a decisão divulgada pela Cameco no final de julho de 2018, de que não reiniciaria a produção na mina de MacArthur River, que permaneceria em manutenção no futuro próximo, até que pudessem ser firmados contratos de longo prazo a um preço bem acima do atual. Infelizmente, essa decisão fez com que centenas de pessoas perdessem seus empregos, contudo mostrou que a empresa canadense tem disciplina e está focada em levar o preço do metal para patamares maiores.

Para honrar as entregas de o urânio com as quais havia se comprometido em contratos antigos, a Cameco está recorrendo ao seu próprio estoque, que foi muito reduzido, e também comprando material no mercado à vista (spot), o que colocou pressão sobre os preços.

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As pessoas ainda não perceberam que a maior mina do mundo agora não está mais produzindo e que sua dona assumiu o papel de comprador – em outras palavras, a empresa não está apenas contribuindo para a falta de material, mas também para o aumento da demanda.

No próximo artigo eu vou falar sobre o ciclo do urânio, os compradores financeiros e o gatilho para o setor, a Section 232.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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