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Com mandado de prisão em seu nome, Elon Musk luta para ser expulso de mais uma empresa

As atitudes de Musk são de sua natureza, cabe ao conselho da empresa decidir o que fazer a respeito antes que seja tarde demais

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Elon Musk, CEO da Tesla Motors
(Mario Anzuoni/Reuters)

Essa definitivamente não tem sido a melhor semana de Elon Musk. Além do famoso Model 3 perder a recomendação do Consumer Reportdevido a problemas na fabricação do veículo, Musk também foi notificado pela SEC, a CVM americana, por ter supostamente quebrado o acordo que tinha com a entidade.
 
No começo de dezembro do ano passado, em entrevista ao 60 Minutes, o CEO da Tesla disse com todas as letras que não tem respeito pela SEC. Isso foi pouco depois de ridicularizá-la, chamando-a de Shortseller Enrichment Commission (Comissão para o Enriquecimento dos Vendedores a Descoberto).
 
Basicamente a SEC o está acusando de – novamente – disseminar falsas informações que são relevantes para os investidores e que potencialmente afetariam o preço das ações. O tweet que gerou essa discórdia foi o da semana passada, em que afirmou que a Tesla fabricará 500 mil veículos ao final desse ano. Depois, ele tentou suavizar sua promessa dizendo que a taxa anualizada de produção no final de 2019 será de 500 mil veículos.
 
Após a SEC encaminhar pedido a um juiz federal alegando que Musk desprezou o acordo, o líder da seita religiosa chamada Tesla não se deu por vencido e decidiu contra-atacar, dizendo que há uma falha na supervisão do órgão regulador. O fato é que ele agora tem mais duas semanas para se defender.
 
Mas isso não é tudo. Vale a pena lembrar que o Departamento de Justiça americana o está investigando por fraude – e isso é muito sério. Além, é claro, dos inúmeros processos gerados pelo infame tweet em que disse que iria  fechar o capital da empresa a $420 e que os recursos para tal já estavam assegurados.
 
Eu já li muitas coisas sobre isso, mas ainda não vi uma pessoa perguntar o que o conselho da empresa faz. Ele deveria cuidar dos interesses dos acionistas e antecipar esse tipo de movimento. É a velha fábula do escorpião e do sapo, as atitudes de Musk estão na natureza dele e não vão mudar. Cabe ao conselho tomar as medidas necessárias para preservar os acionistas que representa.

Musk já foi expulso de uma empresa antes (e é por isso que se tornou famoso e não acabou levando-a à bancarrota) e está fazendo de tudo para ser demitido dessa também, antes que ela quebre e arraste consigo sua reputação (para os que não o conhecem, claro).
 
A minha tese de venda de Tesla é muito simples: trata-se de uma empresa extremamente endividada, que não tem experiência na área de manufatura – e por isso mesmo fabrica carros com defeitos –, com um CEO completamente alucinado com o personagem que criaram para ele, tentando competir em um mercado em que as grandes empresas já estão estabelecidas, com baixo endividamento e alta geração de caixa.
 
A Tesla teve 15 anos para tentar dar lucro e em todos os anos da sua história deu prejuízo, multibilionários por sinal, enquanto recebia recursos do governo (incentivos) e não tinha competição. Hoje, além de ter que lidar com a competição de praticamente todas as montadoras, seus subsídios estão acabando no exato momento em que os concorrentes passam a usufruir deles.
 
A tese de venda da empresa é muito boa, mas ela vem acompanhada de um extra: Elon Musk.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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