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O pior inimigo do investidor

Será que você quer pagar para ver ou prefere investir com tranquilidade? Eu não. Prefiro gastar algumas horas analisando a qualidade dos bancos e desconfiando de altas taxas de retorno oferecidas

Avião - Medo
(Shutterstock.com)

Em um primeiro momento você pode até achar que não, mas por muitas vezes corremos riscos justamente porque não nos damos conta de que se tratam de riscos.

A afirmação é do Nobel da Economia Daniel Kahneman, especialista em estudos do comportamento do investidor. Ele aponta diversas possíveis razões para a tomada de decisões que não sejam as melhores possíveis – especialmente em situações em que não podemos avaliar o todo corretamente.

Por exemplo: quando há risco, normalmente, evitaríamos a todo custo – mesmo porque a aversão a perder é o que sempre temos em mente: não perder, exceto quando o assunto é peso. Mas durante essa ânsia em evitar um dano, podemos cair no meio da desordem.

E é aí que verificamos que o nosso pior inimigo somos nós mesmos.

É o caso de investidores que buscam por aversão ao risco a todo custo e dedicam todo o seu patrimônio à renda fixa.

Mas, por acreditarem que não sofrerão oscilações, esquecem o efeito da marcação a mercado em seus títulos e desesperam-se ao ver a sua rentabilidade momentaneamente despencando.

Ou ainda optam por investir em CDBs ou LCIs sem o olhar atento ao emissor. Contando como justificativa unicamente a garantia do FGC.

Mas, afinal o que é e como funciona esse resguardo? Reduz o risco a zero?

O tão falado FGC

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é uma entidade privada sem fins lucrativos que nasceu da união dos bancos (entram também sociedades de crédito, financiamento, investimento e crédito imobiliário, companhias hipotecárias e associações de poupança).

Atua como um mecanismo de proteção aos investidores em caso de quebra de banco ou corretora, mas inclui também casos de intervenção e liquidação das instituições financeiras.

O modelo iniciou nos Estados Unidos por conta das frequentes crises observadas no país. Em 1933, foi criada a primeira instituição no mundo a prover garantia de depósitos no formato comparável ao que se conhece atualmente, o FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation).

Por aqui, o recurso é válido para as seguintes aplicações financeiras: conta corrente, caderneta de poupança, depósitos a prazo como RDB (Recibo de Depósito Bancário) ou CDB (Certificado de Depósito Bancário), letras de câmbio, letras imobiliárias, letras hipotecárias, letras de crédito imobiliário, letras de crédito de agronegócio e operações compromissadas de títulos emitidos após 8 de março de 2012 por empresa do mesmo conglomerado financeiro.

(Reparou que a poupança está nesse meio? Pois é, não vale mais usar o argumento de que este é o destino mais seguro para o seu dinheiro já que conta com a mesma garantia que os demais investimentos).

Mas há uma limitação.

A cobertura, como você já deve ter ouvido falar, é de R$ 250 mil (considerando o valor investidos somados os juros recebidos) por CPF ou CNPJ e instituição. Não adiantar ter um CDB e uma LCI de um mesmo banco caso totalizem mais do que os R$ 250 mil, já que não contam as aplicações individuais, mas sim do emissor e conglomerado que pertencem em questão.

Além disso, há a limitação de R$ 1 milhão a cada quatro anos, que foi recentemente estabelecida.

Até aí tudo bem, não é mesmo?

Mas você já se perguntou se o FGC é tão grande assim capaz de salvar todo o sistema financeiro do país?

Vamos aos dados.

O limite para restituição dos clientes é o tamanho da reserva do FGC. De acordo com o seu último balanço divulgado, o seu patrimônio é de mais de R$ 66 bilhões, sendo R$ 45,9 bilhões de disponibilidades para cobrir eventuais proteções.

De maneira geral, o órgão está preparado para cobrir crises pontuais, de uma ou outra instituição, e não em caso de uma crise generalizada. Há estudos que indicam que a capacidade para cobrir o volume total do sistema não chega a 2%.

Na crise americana de 2008, por exemplo, o FDIC (a dos EUA) quebrou junto com uma série de bancos e teve que ser socorrido pelo governo também.

Dessa forma, se não tiver recursos disponíveis, não precisa oferecer a garantia. Ao contrário do que muita gente pensa, o FGC não é um seguro. E só reembolsa o depositante ou investidor se houver recursos.

Por isso, apenas a garantia do órgão não deve ser onde você deve depositar toda a sua confiança.

Além de toda a dor de cabeça para reaver o seu dinheiro, você pode perder até alguns meses sem ter rentabilidade.

Mas não tenho dúvidas de que já ouviu muito “dividida o montante em ativos oferecidos por diferentes conglomerados financeiros” por aí.

Será que você quer pagar para ver ou prefere investir com tranquilidade?

Eu não. Prefiro gastar algumas horas analisando a qualidade dos bancos e desconfiando de altas taxas de retorno oferecidas.

Se você visa a segurança da renda fixa, não há razão para tomar riscos desnecessários e não calculados.

Portanto, nada de manter a confiança extrema no FGC se você pode contar com outras ferramentas para analisar a qualidade e capacidade de pagamento da instituição a qual está investindo.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

perfil do autor

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Glenda Ferreira

Nascida em Cassilândia (MS), é economista formada na Facamp-SP. Gosta de comer em bons restaurantes e viajar para conhecer outras culturas.

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Rafael Bevilacqua

O estrategista-chefe é formado em Economia na FEA-USP. Especialista em renda fixa, é maratonista e pai da golden retriever Ibove.

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Gestor especialista em fundos, é formado em Economia na FEA-USP. Também corre maratonas e passa os finais de semana em Serra Negra (SP).

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Especialista de ações há 15 anos, é formado em Administração na FGV. Gosta de música e futebol, e pega ondas nas horas vagas.

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Felipe Berenguer

Responsável pela análise política, estuda administração pública na FGV. Acredita nas instituições e na democracia, e seu amor é o Santos FC.

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