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Empolgou? Marina está mais perto da 'zona de rebaixamento'

Marina acaba sendo taxada de "esquerdista" pela direita e de "conservadora" pela esquerda, ficando em uma espécie de limbo ideológico. Em um momento de polarização e extremismos - como se tornou essa eleição - a candidata cai no esquecimento

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Marina Silva
(Talita Oliveira/Wikipedia)

O ano de 2014 proporcionou um dos melhores episódios para quem é fã de futebol e gosta de uma provocação saudável com os amigos. O Campeonato Brasileiro estava de folga por conta da Copa do Mundo e os times aproveitavam para descansar, treinar e realizar jogos-amistosos.

Com o Palmeiras não foi diferente. O time – comandado então pelo argentino Ricardo Gareca -,  se concentrou em Atibaia, no interior de São Paulo, para treinar. No dia 25 de junho, jogou contra o Barueri e não teve piedade do time mais frágil: o placar terminou em 6 a 0.

Naturalmente, o resultado foi motivo de comemoração e Paulo Nobre, presidente do Palestra à época e bastante deslumbrado com a atuação do seu elenco, concedeu uma entrevista ao site GloboEsporte, gerando a famosa manchete: "EMPOLGOU. Paulo Nobre assiste a jogo-treino em Atibaia e se anima com goleada: 'Vai ser difícil ganhar da gente'".

Não preciso explicar muito mais: na mesma semana, o time perdeu um jogo-treino contra o Guarani, tendo dois jogadores expulsos. Treze semanas depois da fatídica declaração de Nobre, o Palmeiras colecionava 4 vitórias, um empate e 8 derrotas no Brasileirão.

Gareca foi demitido e deu lugar a Dorival Júnior. A mudança não foi suficiente e quem salvou o Verdão do rebaixamento no ano do Centenário do clube foi justamente o seu rival Santos - time de coração de quem vos escreve -, que venceu o Vitória no Barradão com gol de Thiago Ribeiro, aos 49 minutos do 2º tempo da última rodada do Brasileirão.

O EMPOLGOU ficou eternizado para os amantes do futebol, sendo usado até hoje para qualquer declaração muito otimista ou para descrever alguma zebra ou revés de times tradicionais brasileiros.

Se pudéssemos usar o termo na política brasileira, certamente ele teria muita afinidade com a candidata à presidência pela terceira vez, Marina Silva (Rede).

Marina realmente empolgou (sem ironias aqui) seu eleitorado ao se sair bem nas pesquisas eleitorais nos últimos meses e ter o trunfo de ser mulher de origem humilde com uma trajetória de superação. A acreana saiu na frente para conquistar o eleitorado lulista e também as mulheres, que bateram indecisão recorde em 2018.

Nesta última semana, a candidata começou a cair nas pesquisas e se provou merecedora do EMPOLGOU (agora sim, em letras garrafais) das eleições. Marina chegou a empatar tecnicamente em primeiro lugar com Bolsonaro em algumas pesquisas, mas agora aparece com menos de 10% nos resultados mais recentes, em clara tendência de queda.

No início do mês de setembro de 2014, a candidata atingia seus picos de intenção de voto no Ibope e Datafolha (33% e 34%) e era nome forte para o segundo turno. Conforme o mês avançou, ela foi perdendo fôlego e terminou o pleito na terceira colocação, com 21% dos votos válidos. Tudo indica que o filme irá se repetir.

Apesar das diferenças entre as duas votações, temos novamente Marina desidratando na reta final das eleições. Lá na época, Dilma e Aécio montaram uma forte campanha de ataques que tiraram a ex-senadora da jogada. Esse ano, o tropeço tem duas explicações: a primeira parece ser a estratégia política fracassada de sua equipe e a segunda, o próprio perfil de Marina.

A estratégia dos marinistas conseguiu a incrível proeza de perder parcela de todas as suas bases eleitorais: dados mostraram que Marina teve votos perdidos entre mulheres, nordestinos e nortistas, evangélicos e classes mais pobres.

Para complementar, seu perfil não combina com a política brasileira. É uma pena, pois Marina é uma das políticas mais republicanas dos últimos tempos. O problema é que o país, infelizmente, não tem muito apreço pelo republicanismo e, por isso, confunde a postura aberta e transparente da candidata com falta de posicionamento.

Traiçoeiramente, Marina acaba sendo taxada de “esquerdista” pela direita e de “conservadora” pela esquerda, ficando em uma espécie de limbo ideológico. Em um momento de polarização e extremismos - como se tornou essa eleição - a candidata cai no esquecimento.

Concluindo e voltando ao futebol - metáfora para tudo nessa vida -, Marina acaba empolgando no início do campeonato, mas termina na parte baixa da tabela. Seus torcedores (eleitores) podem esquecer, o título ainda é realidade distante para a acreana.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

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Glenda Ferreira

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Responsável pela análise política, estuda administração pública na FGV. Acredita nas instituições e na democracia, e seu amor é o Santos FC.

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