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Se você tem FII não se desespere

Ninguém desejava perder o grau de investimento, mas não foi nenhuma surpresa e nem será uma tragédia.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Grau de investimento está mais ligado ao mundo dos valores mobiliários do que ao mundo dos ativos reais. Essa perda ocasionará muitos impactos, mas os reflexos nos FII talvez não sejam tão ruins.

Muitos fundos estrangeiros incluem nas suas políticas de investimento que só podem investir em países que sejam classificados como grau de investimento. Portanto, já que nosso país perdeu essa condição, tais fundos serão obrigados a se desfazer dos ativos brasileiros, para não descumprir o regulamento.

Mas a questão é: Existem muitos fundos estrangeiros que possuem grandes posições de fundos imobiliários no Brasil? A resposta é não. Por isso o impacto direto não deve ser forte no mercado de FII.

Talvez ainda possuam posições relevantes no mercado de ações, mas se considerarmos que esses fundos estrangeiros são mais conservadores com os recursos dos seus cotistas, depois que a Petrobras atrasou a divulgação de seu balanço (em dezembro de 2014) e que os escândalos de corrupção do nosso país vieram à tona, convenhamos, nenhum gestor sério manteria investimentos aqui. Nosso grau de investimento foi informalmente perdido muito antes do fato de ontem.

O Brasil não é só a BM&FBOVESPA

Deixando o mundo da bolsa e dos valores mobiliários de lado, o que “resta” é a economia real de um país de mais de 200 milhões de habitantes e consumidores, que está passando por mais uma crise financeira. Já enfrentamos outras crises e nos recuperamos, não será diferente agora.

Os investidores da economia real sabem disso. Aliás, somos um país de mais de 500 anos e só tivemos essa condição especial, o grau de investimento, por sete dos anos mais recentes da nossa história. Notem, O Citibank investe no Brasil desde 1915, a GE desde 1919, a Nestlé desde 1921, a General Motors desde 1925, a VolksWagen desde 1953.

Apenas para citar algumas empresas estrangeiras que se estabeleceram aqui em épocas que sequer se cogitava a possibilidade do Brasil ter grau de investimento. Esses recursos estrangeiros vieram (e ficaram) para a nossa economia real. São empresas que demandam espaços de escritórios, galpões, lojas, agências bancárias, centros de processamento de dados, dentre outros.

Não sejamos ingênuos, a volta à condição de grau especulativo é um retrocesso, deve ocasionar alta do dólar e da taxa de juros no curto prazo, o que é ruim para as cotas de FII. Também encarece o crédito no Brasil, necessário para empresas desenvolverem mais projetos.

O rebaixamento não melhora em nada a crise em que já estamos mergulhados, as taxas de vacância de imóveis comerciais estão altíssimas, valores de ativos e dos alugueis em baixa, empresas devolvendo espaços.

Mas o fato é que crises financeiras passam. Sempre fomos e continuaremos sendo atraentes para investidores estrangeiros e, na economia real, grau de investimento não faz tanta diferença assim.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

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Arthur Vieira de Moraes

É advogado, pós-graduado em produtos financeiros e gestão de risco e mestre em administração com ênfase em finanças. Atua como agente autônomo de investimentos desde 1999 e como professor de finanças

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