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Produtividade e educação: eternos desafios do País

Economista Danilo Dupas aponta que a recuperação gradual da economia brasileira ainda não foi percebida pela população e ressalta que se faz urgente o avanço da produtividade do País. Ele destaca ainda, diante desse quadro, a importância de melhoria da qualidade da Educação

Escada
(UM BRASIL)

Por Danilo Dupas*

O Brasil é um país que apresenta alto custo de transação – recurso financeiro necessário para efetivar as transações comerciais –, o que inviabiliza diversos investimentos e, diante da constante crise política, não consegue elaborar um planejamento estruturado que leve ao desenvolvimento efetivo do País.

De acordo com o recente relatório divulgado pelo Banco Mundial “Emprego e crescimento – a agenda da produtividade”, o Brasil iniciou 2018 com recuperação gradual da economia, mas esta ainda não foi percebida pela população brasileira por meio de melhores empregos ou rendimentos mais elevados. A conclusão do relatório é que o Brasil precisa melhorar com urgência sua produtividade, pois está envelhecendo rapidamente em virtude do aumento na longevidade e da queda na taxa de natalidade – consequentemente, os processos para reverter esse cenário poderão se tornar inviáveis a ponto de não sobrarem alternativas.

Apesar das variáveis externas, a principal âncora que não permite ao Brasil navegar na direção do pleno desenvolvimento é o governo, em todas as esferas. Visando a manter o pleno controle do mercado, mesmo não tendo competência, este adota uma postura intervencionista prejudicial e, quando aparenta minimizar seus impactos negativos em determinado setor da economia, concede isenções que afetam os demais setores. O comportamento esquizofrênico do governo catalisa um círculo vicioso, que fomenta o aumento nos custos de transações: concessões fiscais versus aumento nas despesas da máquina pública impactam em novos tributos ou redução de benefícios básicos aos cidadãos. Vale reforçar que a dívida pública bruta ultrapassou 75% do Produto Interno Bruto (PIB) em fevereiro de 2018, com estimativas de que alcance 78% do PIB até o fim deste ano.

Além da falta de competência para atuar assertivamente nos mercados nacional e internacional perante as políticas macroeconômicas – monetária, fiscal e cambial –, nossos governantes orquestram o sepultamento do Brasil para a próxima geração, pois não buscam solucionar os problemas ou desafios, mas postergam a resolução, tratando seus efeitos. A Reforma da Previdência é um excelente exemplo. Até o momento, nenhum especialista no tema chegou a questionar a metodologia adotada para gerenciar os recursos e apoiam somente a postergação do problema, mantendo a mesma maneira de administrar.

Nosso maior desafio é tornar o cidadão brasileiro mais produtivo, buscando melhoria na competitividade do País e na qualidade de vida da população. Não devemos pensar somente em crescer, mas em desenvolver os meios de produção com impacto direto para reduzir, drasticamente, os custos de transação e diluir a influência do governo na economia. Vale ressaltar o que um dos poucos lúcidos na atual equipe do governo Temer, o novo ministro do Planejamento, Esteves Colnago, disse em seu discurso: "O Brasil deve demorar três anos para voltar a ter superávit primário. Nos próximos três anos, o setor público não vai poder ser o motor do crescimento. Ele vai precisar que a iniciativa privada faça isso".

A via mais assertiva para o desenvolvimento sustentável é buscar o aumento na produtividade, sendo que este não está associado a mais horas de trabalho, mas à maior produção por hora trabalhada, o que impacta diretamente na maior especialização da mão de obra e dos recursos alocados. Nesse caso, um planejamento estrutural com investimento em educação, em todas as esferas, é crucial para atingir este objetivo.

Aproveito para refletir sobre a efetividade da metodologia rígida educacional adotada no Brasil perante a flexibilidade e a abertura da metodologia adotada nas universidades dos Estados Unidos. Os dois maiores empreendedores do mundo, Steve Jobs e Bill Gates, deixaram de cursar o ensino superior nos EUA para implantar a Apple e a Microsoft, respectivamente. Obviamente, o modelo na época não era propício para a formação de empreendedores e, após a necessidade de atender à demanda do mercado, diversas universidades naquele país adotaram meios estruturais e acadêmicos para incubar potenciais empreendedores.

Vislumbro esperança na iniciativa privada como catalisadora de oportunidades com Instituições de Ensino Superior (IES), visando reverter o cenário apocalíptico capitaneado pelo governo brasileiro. Muitas aquisições e fusões estão em andamento na área educacional, mas será que as expectativas dessas IES privadas estão alinhadas à solução de problemas? Qual será a quebra de paradigma que irão implantar no processo educacional com o objetivo de atender efetivamente às exigências do mercado e às demandas mais amplas da sociedade?

Fica o desafio de planejarem a ruptura do modelo atual, pois o sistema educacional está defasado, e o tempo para agir está se esgotando.

*Danilo Dupas é economista, mestre em Administração com ênfase em Finanças, consultor empresarial e educacional.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

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