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Congresso pode restringir espaços do governo e segurar "agenda bolsonarista" para blindar reformas

Caberá a Rodrigo Maia convencer os deputados de que o caminho da moderação e da continuidade das reformas continua sendo o mais positivo

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Rodrigo Maia e Samuel Moreira
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

As repercussões políticas da série de falas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) turvam o ambiente às vésperas da volta do recesso, mas, no nível em que estão hoje, deixam como alternativa mais clara a Rodrigo Maia (DEM-RJ) reafirmar o papel da Câmara dos Deputados de ser o lado moderado da história e o condutor das reformas.

A estratégia é efetiva, mas tem suas lacunas: é difícil disputar com o Poder Executivo o protagonismo do sucesso da agenda política para colher seus frutos, e, entre as várias razões que levaram Bolsonaro a disparar ataques recentemente, não se pode descartar que esteja o conforto causado pelo avanço de agendas positivas para o país, entre elas a reforma da Previdência.

Caberá a Maia convencer seus pares de que o caminho da moderação e da continuidade das reformas continua sendo o mais positivo para os deputados.

Maia continua trabalhando nessa linha. Tem evitado compromissos que poderiam tirá-lo de Brasília no início da semana que vem e pediu a aliados que deixem para depois do segundo turno da reforma da Previdência a discussão sobre outros assuntos.

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Isso porque há ainda pendências nos acordos feitos pelo governo com partidos de centro, e a turbulência dos acontecimentos recentes pode ser inflada por conta disso. Há destaques perigosos que exigem coesão para serem derrubados e são alvo fácil de pressão, caso dos que tratam do abono e de pensões.

Se ajustadas essas questões dos acordos pré-recesso e Rodrigo conseguir convencer os deputados da necessidade do avanço dessa agenda, o impacto na votação do segundo turno da reforma da Previdência tende a não ser grande. Mas levará o Congresso a reforçar a agenda de restringir espaços do Executivo e segurar temas caros à agenda bolsonarista propriamente dita.

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Erich Decat

atua há 10 anos na cobertura política diária em Brasília, passando por veículos como Blog do Noblat/OGlobo, Correio Brasiliense, Folha de S.Paulo. De 2013 até 2017 trabalhou na editoria de política do Jornal Estado de S.Paulo. erich.decat@xpi.com.br

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Paulo Gama

Trabalhou 8 anos na editoria de política da Folha de S.Paulo. sendo 4 anos na coluna Painel. Venceu o Prêmio Folha de Reportagem em 2016 com série que mostrou atuação de ministro de Michel Temer em defesa de interesses privados no governo. paulo.gama@xpi.com.br

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Richard Back

Analista político da XP Investimentos. Atua na área política desde 2004, com nove anos em Brasília. Nos últimos cinco anos passou pela assessoria de importantes lideranças partidárias na Câmara dos Deputados. richard.back@gmail.com

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Victor Scalet

Faz análise de política com enfoque quantitativo na XP investimentos. Foi economista na BNP Paribas Asset Management por 6 anos. É mestre em economia pelo INSPER e atualmente cursa doutorado.

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