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Greve de caminhoneiros não é algo propriamente novo no Brasil

Através do Google Trends é possível observar que a greve hoje tem o mesmo nível de procura que o verificado em novembro de 2015

Greve
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

As manifestações mais recentes fizeram bastante barulho, como a de agora, mas foram breves. Precisaram de medidas concretas do governo para chegar ao fim. Em 2015, a categoria fez dois movimentos grandes, o maior deles em fevereiro e março e o segundo em novembro. Os dois casos foram encerrados após medidas do governo, mas de naturezas diferentes.

A primeira manifestação de 2015, em março, também foi deflagrada pela alta no preço do diesel, após eleveção da PIS/Cofins no combustível. O movimento teve início em Paraná e Santa Catarina e se alastrou para 14 Estados no momento do acordo. Durou de 18 de fevereiro a 3 de março.

No acordo para encerrar o movimento, o Planalto se comprometeu a sancionar, sem vetos, a nova lei dos caminhoneiros, o que foi feito em 3 de março. Uma das principais queixas dos articuladores do governo à época era a liderança dispersa do movimento – não havia um comando central com quem dialogar.

Já em novembro, o governo adotou medida diferente. Poucos dias depois de deflagrado o movimento, editou uma medida provisória com punições mais severas para bloqueios de estradas. O movimento foi perdendo força até se encerrar.

Através do Google Trends é possível observar que a greve hoje tem o mesmo nível de procura que o verificado em novembro de 2015, porém, com o episódio em desenvolvimento, essa afirmação é provisória. Observou-se também que nas duas greves ocorridas em 2015, o pico se deu no 7º e o 8º dia.

Buscando responder se, uma vez superada a crise, haverá um efeito perene no bom/mau humor da população, recorremos à forte relação entre a inflação corrente e a expectativa de inflação do consumidor medida pela FGV. Se a alta de combustíveis for suficiente para elevar o IPCA total de maneira importante, os efeitos devem persistir. Como isso parece improvável, a população deve retomar apenas o mau humor habitual recente com os políticos.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Paulo Gama

trabalhou 8 anos na editoria de política da Folha de S.Paulo. sendo 4 anos na coluna Painel. Venceu o Prêmio Folha de Reportagem em 2016 com série que mostrou atuação de ministro de Michel Temer em defesa de interesses privados no governo. paulo.gama@xpi.com.br

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Richard Back

Richard Back é analista político da XP Investimentos. Atua na área política desde 2004, com nove anos em Brasília. Nos últimos cinco anos passou pela assessoria de importantes lideranças partidárias na Câmara dos Deputados. richard.back@gmail.com

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Victor Scalet

Victor Scalet faz análise de política com enfoque quantitativo na XP investimentos. Foi economista na BNP Paribas Asset Management por 6 anos. É mestre em economia pelo INSPER e atualmente cursa doutorado.

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Erich Decat

atua há 10 anos na cobertura política diária em Brasília, passando por veículos como Blog do Noblat/OGlobo, Correio Brasiliense, Folha de S.Paulo. De 2013 até 2017 trabalhou na editoria de política do Jornal Estado de S.Paulo. erich.decat@xpi.com.br

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