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Entrevista à Reuters: Crise dos combustíveis Vs Eletrobras

Crise dos combustíveis tira foco de privatização e aumenta risco para Eletrobras

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

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(Thinkstock)

Por Luciano Costa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma crise de abastecimento em diversos setores desencadeada por uma greve de caminhoneiros contra a alta dos combustíveis deve ocupar a atenção do governo no momento e ajudar a travar ou atrasar o avanço dos planos de privatização da Eletrobras, ainda mais depois de o Congresso não votar uma medida provisória fundamental para processo, disseram especialistas à Reuters.

As ações da estatal acumulam queda de cerca de 17 por cento desde o anúncio do Congresso de que a MP 814 não seria levada à votação. A matéria promovia alterações legislativas para retirar passivos bilionários de seis deficitárias distribuidoras de energia que a Eletrobras pretendia vender até o final de julho.

“A gente vê o governo tentando ‘apagar o incêndio’ de todo jeito com essa questão dos combustíveis... no Congresso também os parlamentares tentando avançar nessa questão de forma mais latente, porque é algo do dia a dia das pessoas. De certa forma, realmente, a Eletrobras hoje não está em primeiro plano”, disse o analista político da XP Investimentos, Erich Decat.

“Vimos isso na decisão dos presidentes da Câmara e do Senado de deixar caducar a MP”, acrescentou ele.

A visão é compartilhada pelo especialista em energia do escritório Demarest Advogados, Raphael Gomes, que acredita que a privatização agora corre o risco de não ser aprovada neste ano.

“A questão dos combustíveis vai mudar o foco, até pelo interesse político da questão... o Congresso está sendo pressionado... por mais que eu ache temerário... o risco (de a privatização não sair em 2018) existe, sim”, afirmou.

Ele contou ainda que clientes do escritório que tinham interesse na aquisição das distribuidoras da Eletrobras têm demonstrado preocupação com o andamento da venda das empresas após a queda da MP na terça-feira.

O consultor João Carlos Mello, da Thymos Energia, também sentiu uma tensão nos possíveis compradores das distribuidoras. Ele avalia que cerca de dez grupos estavam analisando a possibilidade de disputar a licitação das empresas, que operam no Norte e Nordeste.

“A gente tem trabalhado com os investidores para investigar a viabilidade de compra das distribuidoras e isso realmente deu uma chacoalhada nos cálculos. A MP estabelecia as condições necessárias, dava um tratamento a passivos”, afirmou.

PLANO B
Ele defendeu, no entanto, que o governo precisará de um “plano B” para privatizar as distribuidoras da Eletrobras, uma vez que a elétrica e autoridades têm dito que as empresas poderão ser liquidadas caso a licitação não seja realizada com sucesso.

Nesse caso, a Eletrobras precisaria assumir o custo de desmobilizar as empresas, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizaria um leilão para encontrar um novo investidor interessado em assumir as operações de distribuição nos Estados antes atendidos pela estatal.

“Entendo que o governo deve estar trabalhando numa solução, porque a solução pior é deixar liquidar”, disse.

Ele estimou que a Eletrobras poderia gastar cerca de 25 bilhões com a liquidação, entre custos de desmobilizar empregados e estruturas das empresas e passivos destas que precisariam ser assumidos pela estatal.

Um dos planos alternativos para tentar “salvar” a privatização envolve a inclusão de trechos da MP 814 em um projeto de lei sobre a desestatização que tramita em uma comissão especial da Câmara e tem como relator o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Aleluia escreveu no Twitter nesta quinta-feira que já está trabalhando para fazer essas modificações no projeto.

Ainda assim, pode já ser tarde demais, segundo Decat, da XP, que lembrou que o governo até já retirou do Orçamento de 2018 a previsão de arrecadar cerca de 12 bilhões de reais com a privatização da Eletrobras neste ano.


“A gente já está caminhando para uma reta final de atividades no Congresso (antes do recesso parlamentar) e vemos cada vez mais sendo escanteado o tema Eletrobras... e acho estamos cada vez mais vendo a questão eleitoral contaminando todo o processo”, disse.

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Erich Decat

atua há 10 anos na cobertura política diária em Brasília, passando por veículos como Blog do Noblat/OGlobo, Correio Brasiliense, Folha de S.Paulo. De 2013 até 2017 trabalhou na editoria de política do Jornal Estado de S.Paulo. erich.decat@xpi.com.br

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Paulo Gama

Trabalhou 8 anos na editoria de política da Folha de S.Paulo. sendo 4 anos na coluna Painel. Venceu o Prêmio Folha de Reportagem em 2016 com série que mostrou atuação de ministro de Michel Temer em defesa de interesses privados no governo. paulo.gama@xpi.com.br

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Analista político da XP Investimentos. Atua na área política desde 2004, com nove anos em Brasília. Nos últimos cinco anos passou pela assessoria de importantes lideranças partidárias na Câmara dos Deputados. richard.back@gmail.com

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Faz análise de política com enfoque quantitativo na XP investimentos. Foi economista na BNP Paribas Asset Management por 6 anos. É mestre em economia pelo INSPER e atualmente cursa doutorado.

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