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Mario Vitor Rodrigues

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Disputa entre Guedes x sistema começa hoje

Caberá a Guedes enfrentar um mecanismo desenhado para cristalizar privilégios em favor de castas que se locupletam do Estado às custas do restante da sociedade. Não será fácil

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Paulo Guedes
(Marcello Casal jr)

Jair Bolsonaro finalmente foi empossado e, para além do antipetismo, em grande parte graças a uma retórica antissistema. Pois, com a licença de quem está embevecido pelo momento, não espero do “mito” uma postura genuinamente anti-establishment. Pelo menos não uma que se equipare a de Paulo Guedes.

Verdade seja dita, caberá ao novo ministro da Economia enfrentar um mecanismo desenhado para cristalizar privilégios em favor de castas que se locupletam do Estado às custas do restante da sociedade. E não será fácil.

Para início de conversa, Guedes terá o desafio de enfrentar a natureza do próprio presidente, alguém que na pele de deputado se comportou como um verdadeiro sindicalista, inclusive votando em inúmeras ocasiões junto ao PT.

O desequilíbrio dos estados, alguns com folhas comprometidas em até 80% apenas com gastos de pessoal, e o fato de os policiais militares estarem no centro do debate resumem o conflito que se avizinha.

A reforma da Previdência já não é uma questão de debate, de convencimento ou de fé. Tem de ser feita. E não apenas precisa ser executada com urgência, mas de maneira ampla e dura. É isso ou o país quebra.

Ainda assim, não são poucos aqueles que tergiversam ou tentam minimizar o desastre que acometerá a sociedade se assim não for feito.

E não se pode deixar de lado as privatizações. Vale dizer, privatizações de empresas que de fato possam render gordas arrobas aos cofres públicos. As joias da coroa. Ou, no jargão nacionalista castiço utilizado para aterrorizar a opinião pública, as ditas “estratégicas”. São elas as que poderiam viabilizar maiores recursos para a nação.

Pois aí também Paulo Guedes não terá sossego. Assim como não terá sossego em nenhuma outra questão que sugira a alteração de um estilo de vida confortável para poucos, porém organizados e eficientes na comunicação, em detrimento da maioria dos brasileiros.

O economista pinçado por Bolsonaro para ser um dos seus principais ministros ao lado de Sérgio Moro não é político de carreira e nem mesmo por vocação. Bem ao contrário, Guedes é conhecido por sua personalidade irascível.

Por isso, terá de esperar que o governo seja suficientemente hábil na articulação política para dobrar as bancadas e viabilizar as reformas. Além disso, o apoio do presidente e também da sociedade será fundamental.

Boa sorte.

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Mario Vitor

Autor da editora Nova Fronteira, comentarista político com passagem por blogs nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo. Atualmente, colunista na Gazeta do Povo e revista Isto É

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