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Mario Vitor Rodrigues

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Moro: ás na manga ou cavalo de Troia?

A presença de Moro no governo, hoje alvissareira, pode se tornar pesada para uma gestão que ainda terá de equilibrar pratos tão ou mais pesados do que a corrupção, como as reformas previdenciária e tributária

Sérgio Moro
(Marcelo Camargo/Agência Brasil )

O aceite do juiz Sérgio Moro ao convite do presidente recém-eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública provocou um considerável rebuliço por parte de opositores ao novo governo.

Levando-se em conta a mácula que as declarações abjetas, antidemocráticas e até mesmo tresloucadas do futuro presidente e seus apoiadores justificadamente impuseram à futura administração, nada mais natural.

Idem para o interesse da esquerda em manipular o fato de modo a vender a narrativa, na melhor das hipóteses leviana, de que Moro apenas estaria recebendo o devido reconhecimento por ter inviabilizado a candidatura de Lula. Como se as atribuições do juiz pudessem ser confundidas com aquelas do TRF-4 ou do TSE.

Do ponto de vista pirotécnico, aos olhos do fã-clube ainda em transe pela vitória sobre um PT que de todo modo nunca contou com a vitória final, o embarque de Moro na aventura bolsonarista merece lugar na mesma prateleira em que se encontram a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, a extradição de Cesare Battisti e as picuinhas infantis endereçadas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na internet.

Na vida prática, contudo, pode oferecer estragos ao futuro governo.

É verdade, em um primeiro momento, que Moro traz para a nova administração uma chancela irrecusável. Que governo rejeitaria o selo anticorrupção, especialmente quando o público clama por esse posicionamento?

Por outro lado, há um quê de sinuca de bico. É como se Bolsonaro, no afã de enviar um recado que fizesse jus à retórica defendida durante a campanha, tivesse instalado no seio do mandato um cavalo de Troia.

Afinal, a imagem de Sérgio Moro perante a opinião pública é tão forte que seria no mínimo estranho se o presidente o demitisse. Pior ainda só mesmo se o próprio juiz achar por bem se afastar do governo, caso se depare com entraves frustrantes na tentativa de aplicar o conjunto de medidas que vem sinalizando e pelas quais abandonou a magistratura.

Fosse esse o caso, ainda que os bolsonaristas mais ferrenhos tratassem de justificar uma cambalhota dessa monta e inclusive buscando uma desconstrução do juiz que hoje idolatram, grande parte da sociedade não deixaria de ver com estranheza tal cenário.

Em resumo, a presença de Sérgio Moro no governo, hoje alvissareira, pode se tornar pesada para uma gestão que ainda terá de equilibrar pratos tão ou mais pesados do que a corrupção, como as reformas previdenciária e tributária.

Convenhamos, levando em conta o que o próprio presidente eleito deixou escapar ontem, ao declarar que a dívida interna precisa ser renegociada, talvez Moro tenha um posicionamento ainda mais estratégico do que imagina.

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

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Mario Vitor

Autor da editora Nova Fronteira, comentarista político com passagem por blogs nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo. Atualmente, colunista na Gazeta do Povo e revista Isto É

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