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"De Zero a Um": a visão revolucionária de Peter Thiel de como empreender

Das principais observações que ele faz em seu livro, duas se destacam: "Num mundo de recursos escassos, a globalização sem novas tecnologias é insustentável" e "o monopólio é a condição de cada negócio bem sucedido" 

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Peter Thiel
(Wikimedia Commons)

*Por Felipe Passero

Peter Thiel é uma das poucas pessoas que podem ser chamadas de empreendedor em série, e posteriormente ganhou protagonismo como investidor em empresas muito bem-sucedidas nos seus estágios iniciais. Foi co-fundador do PayPal e da Palantir Tecnologies, e investidor do Facebook no seu estágio inicial, entre outras companhias.

No livro “De Zero a Um”, Peter Thiel analisa alguns fatores que ele considera importante para empresas que estão sendo criadas no ambiente globalizado, conectado e disruptivo que vivemos. 

Inovações podem ser de zero a um ou de um a N. Inovações de zero a um são disruptivas. Criam um mercado novo, um produto novo. Inovações de um a N são incrementais.

A importância do monopólio no capitalismo
Para o autor, monopólios são essenciais para a inovação e o progresso. Numa hipótese de mercado perfeitamente competitivo, a margem de lucro é zero, o que não remunera adequadamente o capital investido. Empresas monopolistas não precisam se preocupar com a competição, permitindo inovar, pensar no longo prazo e investir em lucros que virão no futuro.

Uma empresa monopolista não tem como fonte de preocupação manter sua lucratividade no curto e médio prazo. A promessa de lucros em anos ou décadas futuras são um poderoso incentivo à inovação.

Neste ponto é imprescindível diferenciar os monopólios legais, que são impostos à população através de leis, regulações, patentes e barreiras comerciais.

Por outro lado, existem mercados onde uma empresa é predominante, ou mesmo apenas uma empresa consegue entregar um determinado produto. Hans Sennholz, presidente da Foundation for Economic Education entre 1992 e 1997, elenca alguns elementos característicos desses “bons monopólios”:

  1. Existe concorrência potencial. Caso a empresa aumente muito seu preço, viabiliza a entrada de novos players. Se o Google cobrasse 1 dólar de cada pesquisa feita, outros buscadores gratuitos teriam uma parcela maior do mercado.

    2. Concorrência de substitutos. Num supermercado existem vários produtos específicos feitos por uma só empresa. Pode existir apenas um fabricante de sorvete de pitaya no país, mas o cliente pode optar por levar um iogurte, um sorvete de chocolate ou uma torta, caso o preço deste produto específico seja muito alto. Pode haver apenas um parque de diversões na cidade, mas o consumidor pode optar por levar os filhos para jogar futebol caso o preço daquele parque seja inviável.

    3. Crescimento ótimo. Uma empresa monopolista num ambiente concorrencial só se sustenta se mantiver vantagens em termos de eficiência em relação aos bens substitutos e a novos entrantes e ofertará uma quantidade que otimize seus custos frente à demanda.

    Monopólios legais são ineficientes e recorrem a leis para coibir a concorrência em potencial. 

    O monopólio é a condição de todo negócio bem sucedido. Uma empresa tem tal condição por oferecer uma solução que outras empresas não conseguem oferecer. Negócios fracassam porque são iguais a outros negócios e saem do mercado para evitar a concorrência.

    A concorrência é, portanto, uma força destrutiva no meio empresarial. Quando dois países vão à guerra, tanto o vencedor quanto o perdedor saem mais pobres.

  2. No passado, Google e Microsoft tinham mais valor de mercado cada uma individualmente que a Apple. Num determinado momento, a Microsoft tentou criar seu próprio buscador de internet e o Google tentou criar sua solução similar ao pacote Office. A Apple buscou inovar de zero a um, lançando o Iphone. O resultado foi a Apple alcançando valor de mercado maior que Google e Microsoft somadas.
  3. O próximo Bill Gates não será um inventor de sistemas operacionais. O próximo Sergey Brin não será o inventor de um novo sistema de buscas on line. Tais problemas já possuem soluções de mercado e entrar em tais mercados só poderá resultar em uma empresa tal que consiga se apropriar de parte da margem das empresas já existentes, nunca criar um valor maior. O novo Bill Gates e o novo Sergey Brin precisa ser alguém que crie uma solução completamente nova, que faça uma inovação de zero a um.
  4. Uma startup é negociada por valor de mercado na ordem de bilhões de dólares em função da sua capacidade de gerar lucro no futuro. Provavelmente muitas das startups geram menos lucro que uma casa noturna bem sucedida, ou um restaurante famoso. Restaurantes serão substituídos, no futuro, por outros restaurantes que estejam na moda. Uma empresa bem-sucedida  faz a trajetória oposta. Gera lucro negativo no início, mas tem a capacidade de crescer e perdurar.
  5. Uma empresa bem sucedida precisa começar por um mercado pequeno, que não seja servido por nenhum tipo de serviço similar. Começar tentando atingir um público grande é uma má escolha. Uma vez solucionado o problema desse pequeno grupo, a empresa precisa escalar. Negócios digitais precisam ter a capacidade de escalar rápido.

  6. Outro aspecto importante é que não basta ser o primeiro a chegar. Uma nova empresa digital precisa ter uma vantagem competitiva onde ela seja pelo menos dez vezes melhor que seu próximo concorrente ou substituto. 
  7. Em síntese, uma empresa capaz de gerar lucros futuros de maneira consistente na era digital precisa:
  8. 1. Atender eficazmente um problema específico de um determinado grupo.
  9. 2. Não ter concorrentes ou substitutos próximos. Ter o “fosso”, como numa fortaleza medieval, na metáfora tantas vezes usada por Warren Buffet.
  10. 3. Ter capacidade de ganhar escala e atingir mercados globais através da tecnologia, não se sujeitando a barreiras geográficas.
  11. 4. Ser dez vezes melhor que o concorrente mais próximo na sua principal vantagem competitiva. Através da leitura do livro, o leitor pode concluir que a grande força inovadora do capitalismo está nesses monopólios bons, frutos da especialização, e não numa concorrência massificada onde todos fornecem soluções iguais. O capitalismo prospera porque as pessoas e empresas são diferentes. Fôssemos todos iguais, não existiria criação de valor.

*Felipe Passero é associado ao IFL, Administrador de empresas pela FEA - USP e assessor de investimentos associado à XP Investimentos. Interessado em temas relacionados à economia, direito, política e finanças.

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