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Eduardo Cavendish

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China: Os últimos suspiros do Dragão Vermelho

O número do PIB chinês veio muito próximo às expectativas do mercado, mas  chama a atenção o rápido aumento da dívida que vem sendo utilizada para financiar o crescimento do consumo doméstico

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

china
(Shutterstock)

Ontem a China divulgou números do crescimento do PIB para o primeiro trimestre de 2019. Como de costume o número veio muito próximo às expectativas do mercado: 6,4% realizado contra 6,3% de expectativa.

Dito isto, vamos a alguns pontos essenciais para entender o que se passa no gigante asiático:

i) Despesas do governo aumentaram 15% na comparação anual e o estoque de dívida cresceu 10,7%;

ii) Importações caíram 4,4% na comparação anual enquanto exportações cresceram 0,5%;

iii) Os investimentos do setor público aceleraram enquanto o setor privado desacelerou no 1T19; e

iv) Os setores que puxaram o crescimento foram os domésticos, em especial aumento na produção industrial de consumo interno e infraestrutura.

Observando os dados acima fica claro que o grande propulsor do crescimento recente chinês deixou de ser as exportações ao mundo e se tornou o mercado doméstico. Até aí, nenhuma novidade e vai de acordo com o plano quinquenal estabelecido pelo Partido Comunista.

O item que chama a atenção é o rápido aumento da dívida que vem sendo utilizada para financiar o crescimento do consumo doméstico. A velocidade do aumento das despesas do Governo vem sendo muito maior que o crescimento da economia.

Além da política fiscal, o governo chinês vem utilizando políticas que visam enormes injeções monetárias de forma a estimular o crescimento. Como resultado, o volume de novas dívidas atingiu o maior patamar da história no 1T19 (notem JAN/19), conforme pode ser visto abaixo:

Fonte: https://tradingeconomics.com/china/loans-to-private-sector

Muitos argumentam que a China ainda possui muito espaço para políticas de estímulo, levando a uma economia mais alavancada. O problema desse argumento é que se esquecem que a China após a grande crise de 2008/ 2009 foi um dos países que mais estimulou a alavancagem e já apresenta níveis altos de Dívida/ PIB. Os dados abaixo vão até o final de 2018 e tudo leva a crer que a relação aumentou de forma rápida nos últimos meses.

 

Diversas análises se baseiam na China como a salvação para o crescimento global que vem reduzindo rapidamente nos últimos meses. Sou bastante cético nessa crença dada a qualidade do crescimento Chinês que requer uma enorme quantidade de dívida para seguir dentro do esperado. Cada dia precisaremos de mais Yuans para gerar 1 Yuan de crescimento econômico.

(Spoiler Alert) Tal qual a série Game of Thrones, é possível que percamos esse dragão.

Winter is coming.

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Eduardo Cavendish

Administrador formado pelo Insper, apaixonado por geopolítica e sócio na CIGA Invest. Sempre desafiando o senso comum

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