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"Reforma da Previdência será aprovada com pouca desidratação", diz deputado Luiz Philippe O. Bragança

O deputado Luiz Philippe O. Bragança, em entrevista para o blog, disse que a reforma da previdência deverá ser aprovada com pouca desidratação devido à forte pressão da sociedade. O deputado disse ainda que a reforma da previdência deveria ter sido ainda mais robusta. Confira na íntegra a entrevista.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Luiz Philippe Orleans e Bragança
(Reprodução/IMTV)

O deputado Luiz Philippe O. Bragança (PSL-SP), em entrevista para o blog Economia e Política Direto ao Ponto, disse que a reforma da previdência deverá ser aprovada com pouca desidratação devido à forte pressão da sociedade. O deputado disse ainda que a reforma da previdência deveria ter sido ainda mais robusta. Confira na íntegra a entrevista:

1) Deputado, qual é o clima para a aprovação da reforma da previdência no Congresso? Qual é a probabilidade de se passar uma reforma da previdência robusta?

A reforma deverá ser aprovada. O problema é que a reforma já chegou “aguada” (muita branda) no Congresso Nacional, dando pouca margem para manobra. Provavelmente, o presidente queria mostrar sensibilidade e não criar muita discussão. Pode haver o risco de algumas categorias pedirem benefícios diferenciados, mas, ao final, será aprovada.

2) Como deveria ter sido a reforma?

A sociedade brasileira está num padrão evolutivo da Europa: envelhecimento da população, homem e mulher no mercado de trabalho e baixa natalidade. Nessa proposta, não deveria haver distinção de idade entre os sexos. Homens e mulheres deveriam se aposentar com 65 anos, que já não é um corte tão alto. Também não deveria haver distinção de aposentadorias entre o trabalhador urbano e rural. A agricultura mudou muito no Brasil. Há mecanização, a relação é profissional.

3) O presidente Jair Bolsonaro se recusa recorrer a velha política para aprovar a reforma da previdência, ou seja, oferecer cargos no governo para indicados dos deputados. Diante disso, poderá haver algum tipo de retaliação por parte de alguns deputados na aprovação da reforma da previdência? Essa retaliação coloca em risco a reforma?

Acho difícil alguma retaliação porque a opinião pública está em cima. A população quer a reforma. A percepção que eu tenho é de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quer reformas econômicas, mas também quer atender a oposição. Na minha visão, isso significa que, de um lado, se aprovará a reforma, mas, por outro, essa aprovação poderá vir acompanhada de um foco maior nos temas da oposição, como políticas progressistas e leniências com os pacotes anticorrupção.

4) Nomeação de cargos não necessariamente significa corrupção. Muitos deputados querem influência no governo para conseguir benefícios junto à sua base eleitoral. Não permitir em hipótese alguma a nomeação de cargos não seria assumir que todos os deputados são corruptos?  

Não. Na verdade, o presidente Jair Bolsonaro está mantendo sua promessa de campanha. Ele não está cedendo cargo nem para os indicados do PSL, da sua própria base. Ele está mantendo sua palavra.

5)  Qual é o grau de desidratação que a reforma deve ter?

A desidratação deve ser pequena. Não há argumentos e nem ambiente para que os grupos de reivindicações tenham seus pedidos atendidos. Ninguém é obrigado a escolher determinada carreira. Não tem como sustentar uma proposta diferenciada para alguns setores perante a maioria da população que quer uma reforma igual para todos. Além disso, há um maior entendimento de que se houver muitas concessões agora, uma nova reforma terá que ser feita adiante. Quanto mais a população entender que é necessário “cortar na carne” agora, mais evitaremos o custo de se fazer uma outra reforma da previdência em breve. Alguns argumentam que, com crescimento econômico, os riscos de uma nova reforma seriam atenuados. No entanto, num ambiente econômico mais favorável o fluxo migratório deve se intensificar para o Brasil, sobrecarregando ainda mais o sistema previdenciário. Por essas razões, a reforma deve ser mais robusta agora para evitarmos custos e desgastes no futuro.

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perfil do autor

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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