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Facebook censura páginas de direita, e a esquerda deveria se opor a isso

Não se trata de ser a favor das fake news, mas contra a censura, seja ela na esquerda ou na direita. Trata-se de ser a favor da LIBERDADE com todos os erros e riscos inerentes a ela. O preço da liberdade é fazer escolhas erradas, compartilhar erradamente fake news, mas poder corrigir o erro. A liberdade é um equilíbrio dinâmico, jamais estático, passível de correção de rota, de melhorias. Já o preço da censura é ter suas informações e seu comportamento controlado por determinados grupos. É o risco da perda de bem-estar, da presença constante da angústia e da falta de vida, tão bem retratados no romance 1984. 

Facebook
(Shutterstock)

Não há dúvidas de que o Facebook se tornou um poderoso veículo de comunicação, trazendo informações independentes para milhares de pessoas em todo o mundo. O Facebook se tornou uma plataforma de divulgação de notícias capaz de quebrar a hegemonia de poderosos veículos de comunicação, uma vez que a maioria das pessoas passou a acessar notícias pela rede de Mark Zuckerberg, e não mais pelos sites ou pelas versões impressas dos jornais.

É claro que isso abriu espaço para veículos menores ou formadores de opinião independentes crescerem, conseguindo competir com gigantes da comunicação tradicional. Não só isso, abriu oportunidades para que pessoas comuns pudessem expressar suas opiniões livremente.

No entanto, todos estes benefícios estão em xeque. Nesta semana, o Facebook derrubou páginas com viés liberal ou conservador (de direita) sob a alegação de que elas propagam fake kews. Não só as páginas foram derrubadas como também os perfis pessoais de algumas pessoas, entre elas, Renan dos Santos do MBL.

Há 2 meses, o doutor em antropologia, Flávio Gordon, havia escrito um artigo excelente sobre o tema (aqui), apontando, com fontes primárias, o viés ideológico de esquerda das agências de checagem e dos seus colaboradores. Eu também escrevi sobre este viés no InfoMoney (aqui). O publicitário Alexandre Borges e o economista Rodrigo Constantino também bateram muito nesta tecla. Aliás, publicamos um texto na Folha de São Paulo, alertando para os riscos da censura, seja para alguém de direita ou de esquerda (aqui). Ontem (dia 25), a economista Renata Barreto, minha colega de InfoMoney, também escreveu um ótimo artigo sobre o tema (aqui).

Não se trata de negar a existência de fake news (termo da moda para algo que existe há anos), mas apontar os riscos da criação do “Ministério da Verdade Orwelliano”, com viés claramente ideológico de esquerda, para dizer o que é falso ou não.  Centenas de páginas foram derrubadas sem notificação, sem justificativas, sem nada. E mesmo que houvesse algum caso de fake news, o remédio jamais poderia ser a censura, por uma simples razão: quem vigia o vigia? Nesse caso, a melhor solução contra fake news é aquela que sempre foi utilizada: o bom senso! Ou será que o ditado popular “mentira tem perna curta” não é fruto da observação real de que em algum momento a mentira é desmascarada.

Dar a palavra final ao Facebook ou as agências de checagem (trabalham em conjunto) para apontar o que é verdade, é conceder um poder absoluto para essas empresas, na medida em que podem controlar o fluxo de informações de acordo com os seus interesses. Podem simplesmente sumir com alguém sob o pretexto de “fake news”, como também podem se omitir de uma verdadeira fake news até que a mentira se torne uma verdade.

É evidente que nem o Facebook e nem as agências vão dizer que querem checar os fatos e banir ou diminuir alcance dos usuários apenas para ter mais controle sobre a sociedade, de acordo com os seus interesses. É óbvio que no submundo da mídia e da política ninguém falará claramente suas verdadeiras intenções. Pelo contrário, essas organizações vão vender sempre um projeto “bem-intencionado”: “queremos acabar com a mentira” – afinal quem seria contra a mentira, não é mesmo? E assim os inocentes úteis compram a ideia e caem na armadilha, viabilizando as intenções dos grupos de poder.

Por fim, vale destacar dois aspectos. Primeiro, por mais que o Facebook seja uma empresa privada, ela tem responsabilidade com a sociedade. Seus usuários têm todo o direito de reclamar desta política de censura, assim como um cliente reclama de uma empresa quando não é bem atendido. Portanto a reclamação é legítima, antes que repitam bovinamente o clichê “migre para outra rede, é uma empresa privada”. Além disso, o Facebook pode ser enquadrado numa empresa de utilidade pública, portanto, devendo prestar contas à sociedade. É perfeitamente possível – e óbvio - uma empresa ser privada e ter responsabilidades com a sociedade, mesmo sem a necessidade de órgãos reguladores. Segundo, muitas pessoas de esquerda estão comemorando a decisão, mas se esquecem de que elas também poderão se tornar vítimas. A censura cobra um preço alto, inclusive para aqueles que apoiaram inicialmente a perseguição, acreditando que não seriam atingidos por ela.

Não se trata de ser a favor das fake news, mas contra a censura, seja ela na esquerda ou na direita. Trata-se de ser a favor da LIBERDADE com todos os erros e riscos inerentes a ela. O preço da liberdade é fazer escolhas erradas, compartilhar erradamente fake news, mas poder corrigir o erro. A liberdade é um equilíbrio dinâmico, jamais estático, passível de correção de rota, de melhorias. Já o preço da censura é ter suas informações e seu comportamento controlado por determinados grupos. É o risco da perda de bem-estar, da presença constante da angústia e da falta de vida, tão bem retratados no romance 1984. Só falta agora o grande irmão mandar repetir  “Facebook é a verdade”; “Agências de checagem é de direita”; “Censura é Liberdade”.

Alan Ghani é economista, PhD em Finanças e professor em cursos de pós-graduação.

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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