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Dos EUA para o Brasil: Por que não devemos desarmar a sociedade civil?

Este artigo traz uma análise sobre os benefícios da posse de armas pela população civil, mostrando que armas podem salvar vidas e garantem o direito à defesa e à liberdade individual contra criminosos, terroristas e governos totalitários. O artigo também desmistifica algumas mentiras relacionadas à posse de armas, além de mostrar a hipocrisia e a transformação de tragédias em agendas políticas desarmamentistas por políticos e formadores de opinião.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

fuzil - Polícia Federal
(Divulgação/DPF)

Cada vez que ocorre um atentado nos EUA reascende o debate sobre a facilidade de ter uma arma. No último, ocorrido em Orlando, não foi diferente.  Logo, a imprensa chamou especialistas que culparam a homofobia, a islamofobia (o muçulmano assassino seria uma vítima da sociedade Ocidental) e, claro, a facilidade do acesso a armas pela morte das 50 pessoas na boate de Orlando.  

Surpreendentemente só “se esqueceram” de culpar o próprio psicopata que cometeu os assassinatos, motivado por um fundamentalismo islâmico de cunho político-religioso. É impressionante como “intelectuais” perderam a capacidade de enxergar o real e o óbvio, atribuindo sempre a culpa de um crime a entes abstratos (“a política de armas”, “ a cultura do estupro”, etc.. ) e nunca aos assassinos, estupradores e terroristas.

Em relação à “culpa das armas”, vende-se a ideia de que o acesso a compras de armamentos nos EUA viabilizaria os crimes cometidos por psicopatas. Será que para um psicopata que mata 50 pessoas e está disposto a morrer, a burocracia para comprar uma arma seria um empecilho para impedir seus crimes? É evidente que para um criminoso, restrições legais ao porte de armas não é nenhum problema, por uma razão simples: ele compraria armas no mercado ilegal.

Além disso, quem mata não são as armas, mas as pessoas por trás delas. Na Arábia Saudita e no Irã, os fundamentalistas islâmicos matam gays, jogando-os de prédios ou enforcando-os em guindastes. Devemos também proibir os prédios altos e os guindastes a fim de evitarmos assassinatos?

Caso não esteja convencido, o Brasil é um ótimo exemplo que contraria a relação desarmamento da população civil e diminuição da criminalidade. Temos uma legislação extremamente restritiva para posse de armas e o país é um dos mais violentos do mundo. Passamos por uma forte campanha desarmamentista (Estatuto do Desarmamento), e os crimes diminuíram por conta disso? Os traficantes devolveram seus AR-15  e AK-47 diante do apelo do governo ou da propaganda “sou da paz”? Evidentemente que não, pelo contrário: a criminalidade cresceu de 2003 até 2016, atingindo níveis alarmantes.

Então por que as armas de fogo são sempre culpadas pelos assassinatos e nunca os assassinos? O livro – Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, de Bene Barbosa e Flávio Quintela - traz embasadas análises sobre o tema – as quais resumo-as abaixo -, desmascarando as mentiras construídas pela agenda desarmamentista.  

Primeiro, associa-se erradamente a posse de armas à intenção de matar e nunca com o desejo de se defender. Essa visão é alimentada por grande parte da imprensa, a qual traz muito mais notícias de criminalidade do que relatos onde as armas de fogo evitaram assaltos, estupros e assassinatos. Segundo, com exceção do especialista em segurança pública, Bene Barbosa, praticamente todos os demais “especialistas” no assunto omitem os benefícios de ter uma arma de fogo.

Entre os principais benefícios está a possibilidade de o cidadão comum ter o direito de se defender de bandidos. É impossível a polícia ser onipresente, estando em todos os lugares ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, a polícia chega depois que o crime ocorreu. Assim, a arma de fogo é uma boa aliada para garantir a defesa individual de cada cidadão contra bandidos.  Vale lembrar que marginais também temem pela perda de suas vidas e vão preferir cometer crimes tendo a certeza de que vítima não tem como se defender. De acordo com um estudo feito no Brasil e citado no livro, de 215 ataques onde houve reação com arma de fogo, “apenas 15 vítimas terminaram mortas e 25 feridas, enquanto que 191 criminosos acabaram presos e 177 morreram”. (Barbosa e Quintela, 2015).   Outro estudo da Universidade de Harvard (aqui) aponta que países com leis menos restritivas ao porte de armas apresentam menores taxas de criminalidade. Será coincidência que todos os atentados nos EUA ocorrem justamente em gun free zones (áreas que proíbem  porte de arma)?

Além de garantir o direito à defesa contra bandidos, as armas de fogo garantem a proteção contra governos tiranos, contra ditaduras. Bastar lembrar que em todos os regimes totalitários (nazista, comunistas), o desarmamento da população foi a primeira medida a ser tomada. Claro, um governo armado frente a uma população desarmada consegue impor sua dominação sem nenhuma resistência por parte da sociedade civil. Por que será que na Coreia do Norte e em Cuba os ditadores permanecem há muito tempo no poder?

Outro ponto importante é que a proibição de vendas de armas de fogo só inibiria o porte de armas das pessoas de bem, justamente aquelas que teriam uma arma para se defender e não para cometer crimes. A explicação é que pessoas de bem são mais propensas a cumprirem a lei e não comprariam armas no mercado ilegal. Já os criminosos continuam a comprar armas, independentemente se o mercado é legalizado ou não. Aliás, sempre vão preferir comprar no mercado ilegal, já que suas compras não serão registradas e nem rastreadas pela polícia.Ressalta-se que até a própria ONU, a qual tem uma agenda escandalosamente de esquerda (progressista), reconheceu que não há relação entre restrição a armas e diminuição da criminalidade violenta, e o seu uso é legítimo

Apesar desses benefícios, muitos acreditam que uma legislação mais favorável à posse de armas aumentaria os acidentes com crianças, os crimes banais e os roubos de armas legais pelos bandidos.

Quanto aos acidentes com armas de fogo, de acordo com os dados do Ministério da Saúde, elas representariam apenas 0,7% das mortes, perdendo para os acidentes de trânsito (39,7%), afogamento (25,8%), sufocamento (14,2%), etc.. Nos EUA, país com maior número de armas do planeta, essas estatísticas são bem parecidas com as daqui (fonte aqui), comprovando o baixo risco acidental de uma arma de fogo para uma criança. Só para exemplificar, de acordo com número oficiais, o número de acidentes fatais infantis com armas de fogo é de 1 a cada 10 milhões (Barbosa e Quintela, 2015).

É evidente que mesmo as estatísticas comprovando a baixa possibilidade de acidentes com armas de fogo, não se pode falar em risco zero. No entanto, praticamente qualquer invenção humana, por mais benéfica que seja, traz seus riscos, e acidentes fatais podem ocorrer eventualmente.  Por exemplo, todo ano, pessoas morrem por acidentes de carros, desastres aéreos ou por reações a medicamentos. Mas nem por isso, proibimos os automóveis, os aviões e os remédios, pois os benefícios dessas invenções compensam o risco de eventuais fatalidades. Com as armas, não seria diferente: o risco de proteger vidas mais que compensaria eventuais acidentes com elas.

Quanto ao possível aumento de crimes banais (briga de trânsito, por exemplo), três questões merecem atenção. Primeiro, defende-se o direito de se ter uma arma mediante um mínimo de preparo psicológico e treinamento. Segundo, é razoável supor que pessoas que sacam uma arma devido a brigas de trânsito, provavelmente, já são compradoras de armas no mercado ilegal. E, mesmo havendo essa possibilidade, novamente: tal risco seria compensado pelas vidas que a posse de arma poderia salvar.

Já em relação ao aumento de roubos de armas pelos bandidos, cabe ressaltar que mesmo antes do estatuto do desarmamento, apenas 25,6% das armas legalizadas estavam nas mãos dos criminosos de 1951 e 2003, de acordo com estudo conduzido por organizações desarmamentista (provavelmente este número deve ser ainda menor).

Então, se as armas garantem a defesa individual contra criminosos ou tiranos, por que as armas são tão demonizadas? Por que o debate é tão irracional, recheado de falácias e mentiras? Porque, infelizmente, a Orlando real não é como a Disney. O mundo real está cheio de hipocrisia: de artistas e políticos que defendem o desarmamento, mas que andam com cinco seguranças armados até os dentes. O mundo real também está cheio de terroristas, criminosos e grupos políticos com intenções totalitárias que concordariam que uma população desarmada e amedrontada é a maneira mais fácil deles imporem seu poder sobre ela.  

E, por fim, no mundo real, também existem formadores de opiniões e políticos que não estão nem aí para as vítimas de crimes, mas que aproveitam qualquer ato criminoso ou terrorista para impor sua agenda desarmamentista, recheada de generalizações, abstrações, e apelos emocionais baratos para inocentes úteis que se encantam mais por um discurso sentimentalista “bem intencionado “ do que pela razão, entendida como a capacidade de enxergar o real. Em Orlando, transformaram o massacre terrorista em propaganda desarmamentista; no Brasil, um estupro coletivo foi transformado em agenda feminista. Pergunto: qual é a melhor arma contra o cinismo e a hipocrisia?

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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