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Gestão de Risco de Crédito

Existem inúmeras variedades de linhas de crédito à disposição das empresas com custos diferenciados entre as taxas de juros das diversas instituições financeiras. 

Lupa investimentos
(Shutterstock)

(*) Por Dr. George André Willrich Sales e Prof. Ms. Rodolfo Vieira Nunes

Existem inúmeras variedades de linhas de crédito à disposição das empresas com custos diferenciados entre as taxas de juros das diversas instituições financeiras. Para minimizar a utilização desses recursos, por parte das empresas, faz-se necessária uma adequada programação da captação. Como fator chave de sucesso é necessário conhecer e estudar o fluxo de caixa do negócio. Tal conhecimento do fluxo de caixa permite uma programação de captação ou não de recursos financeiros. Um dos aspectos mais importantes para o fluxo de caixa é a negociação de desconto com clientes e fornecedores.

Por efeito da gigantesca diferença entre as taxas de captação e de aplicação aferidas no Brasil, há uma enorme lacuna de oportunidades o qual as organizações podem barganhar descontos junto a seus clientes e fornecedores, transformando essas operações financeiras em algo mutuamente vantajoso.

Na questão dos clientes, existem inúmeras formas de separação e classificação (volume de compras, frequência, pontualidade de pagamento e etc.). Porém, há um método que merece destaque sobre os demais, e ele está ligado à rentabilidade dos produtos e dos clientes, além de questões financeiras como, desconto por pagamento à vista. Os créditos que as empresas concedem aos clientes são uma das preocupações básicas dessas atividades. A gestão desses créditos tem como objetivo a minimização dos capitais investidos no crédito, a maximização das margens de lucro ligadas ao crédito e também a redução dos créditos de cobrança duvidosa e dos inadimplentes. Como base para uma política de crédito alinhada, a organização deve ser consciente dos custos oriundos dessa decisão, são eles os custos de possuir o crédito ligados ao período de adiantamento de futuros recebimentos e das perdas de inadimplentes, e os custos de oportunidade relacionados a diminuição nas vendas pela não concessão do crédito. Todo e qualquer crédito tem custos que infelizmente envolvem riscos econômicos e financeiros por parte da empresa. Por isso, é crucial uma ferramenta de avaliação e controle sobre a performance dos recebimentos, que faça uma conexão entre as atividades de período dos créditos e a evolução dos prazos médios de recebimento.

A respeito dos fornecedores, o relacionamento deve ser entendido como uma parceria de mão dupla, minimizando os riscos e custos, além de favorecer as negociações das quantidades adquiridas, prazo de entrega e especificidades dos produtos, já que a troca de informações é primordial para auxiliar os fornecedores a melhorarem a qualidade dos seus produtos e para as empresas diluírem seus custos transacionais. Outro ponto crucial da relação com os fornecedores envolve a questão da garantia do fornecimento, por isso muitas vezes os contratos incluem cláusulas específicas, como, por exemplo, a exclusividade no fornecimento ou financeiras atreladas a um indicador que mostre solidez no desempenho, todas essas relacionadas a multas por quebra de contrato. E consequentemente, têm-se bastante claro entre a empresa e cada um dos fornecedores, os prazos de pagamentos, seja pagamento adiantado, pagamento à vista, pagamento a prazo (30, 60, 90, 120 e etc.), pagamento parcelado (entrada e o restante ao final), bem como o modo de pagamento (cheque, boletos, transferência bancária nacional ou internacional). Pois, para uma gestão equilibrada, um minucioso planejamento das formas de pagamentos é essencial, e isso passa pelo controle diário das contas correntes. A estrutura de pagamento aos fornecedores de uma empresa é diariamente influenciada pela situação da tesouraria e, também, pelas formas de financiamento mais e menos onerosas.

Em síntese, todas as características apresentadas sobre clientes e fornecedores precisam estar extremamente em consonância, para as empresas no momento de efetuar o pagamento ou o recebimento, já que um não alinhamento pode comprometer profundamente a tesouraria. Essa política com clientes e fornecedores pode ser explicada por meio das soluções, produtos e serviços novos e alternativos, que possibilitem a melhoria e eficiência da empresa por meio dos seus resultados. Assim, tendo em vista os aspectos apresentados, os clientes e fornecedores internos ou externos são essenciais, não só pelo poder característico da relação comercial, mas, também, pelas possibilidades dos acordos (contratos) momentâneos ou futuros.

Dr. George André Willrich Sales - Professor do Mestrado Profissional em Controladoria e Finanças e ex-coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Fipecafi.

Prof. Ms. Rodolfo Vieira Nunes - Mestre em Controladoria e Finanças pela Faculdade Fipecafi.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

perfil do autor

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Luciane Reginato

​​ É professora da FEA/USP. Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mestre em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, com imersão em pesquisa em Montreal/Canadá, e doutora em controladoria e contabilidade pela USP.

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Marta Grecco

Doutora em Administração de Empresas pelo Mackenzie com doutorado-sanduíche na Universidad de Salamanca (Espanha), mestre em Controladoria e Contabilidade pela FEA-USP e graduada em Ciências Contábeis pela FEA-USP. Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da FIPECAFI e professora na FUNDACE e no CRC-SP.

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Valdir Domeneghetti

Mestre em Administração pela FEA-RP/USP. Especialista pela FIPECAFI/USP em Auditoria Interna e também em Gestão de Negócios de Atacado. Graduado em Administração. Funcionário do Banco do Brasil por 26 anos tendo atuado nas redes de Atacado/Varejo e Auditoria Interna.

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Paschoal Russo

Doutor em Ciências Contábeis e Controladoria pela FEA / USP, Mestre em Ciências Contábeis pela FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), MBA em Finanças pela FIA (FEA/USP) e Graduado em Engenharia Industrial Mecânica pelo Centro Universitário da FEI de São Bernardo do Campo - SP. É professor da FIPECAFI (FEA / USP) e da FIA.

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Fundada em 1974, a Fipecafi - Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras - é hoje uma das principais instituições de ensino e pesquisas do segmento de contabilidade, finanças, auditoria e atuária. Ligada ao departamento de contabilidade e atuária da FEA/USP, oferece cursos de graduação, pós-graduação, MBA, mestrado profissional, extensão, educação executiva, e-learning e In Company.

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Ana Braun Endo

Jornalista, especialista em Marketing e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. É doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e em Gestão da Informação pela Universidade nova de Lisboa. É professora convidada em programas de pós-graduação lato sensu e consultora de marketing educacional na FIPECAFI/FEA-USP e na PUC-Campinas.

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Wellington Rocha

Bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo. Mestrado e doutorado em Controladoria e Contabilidade, também pela USP, com foco em Gestão Estratégica de Custos. Formado pela Harvard Business School em aplicação do Método do Caso no ensino de Administração. É coordenador do Laboratório de Gestão de Custos da USP e membro do corpo docente do Departamento de Contabilidade e Atuária da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. É também autor ou coautor de 46 artigos publicados em periódicos e mais de 40 trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais. Apresentou mais de setenta palestras no Brasil e no exterior.

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