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Lucro recorde do BB não surpreendeu; a aposta é no futuro do banco

Redução de imposto foi o que impulsionou o resultado no trimestre. A expectativa é que a instituição apresente números ainda melhores ao longo do ano

Banco do Brasil BB

SÃO PAULO - O Banco do Brasil (BBAS3) chamou atenção nesta quinta-feira (9) ao anunciar o que classificou como o "maior resultado nominal em um trimestre na história". Mas, apesar disso, o mercado não se empolgou demais: as ações do BC oscilaram entre leves perdas e ganhos durante boa parte do dia, e só passaram a subir com um pouco mais de força depois do discurso otimista de Rubem Novaes, presidente da instituição.

O maior banco do país encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 4,2 bilhões, uma alta de 40,3% ante o mesmo período de 2018. Em seu release, o BB explicou a melhora por conta do aumento da margem financeira, pela redução das despesas de provisão de crédito, pelo aumento das rendas de tarifas e pelo controle de custos.

A reação relativamente tímida dos papéis, porém, não significa que os analistas não gostaram do balanço. Os números foram considerados positivos, só que não surpreenderam.

Segundo André Martins, analista do setor financeiro da XP Investimentos, é importante destacar que este lucro recorde se deu basicamente por uma questão de alíquota de imposto, que ficou em 14% no primeiro trimestre (contra 35,6% no quarto trimestre de 2018). Se considerarmos o resultado antes dos impostos, o lucro da companhia teve um crescimento em linha com o esperado.

A equipe de análise da XP destacou que os números foram neutros e não alteram a tese de investimento da empresa, que é positiva, uma vez que, na comparação anual, as métricas permaneceram sólidas.

Já o Bradesco BBI viu o resultado como sólido, em que, no geral, os bons fatores se materializaram rapidamente, enquanto os fatores ruins devem melhorar este ano. "Em nossa visão, o 1T19 foi um bom trimestre para o BB, já que as NIIs (margem financeira) de clientes já começaram a apresentar melhorias devido a um melhor mix de empréstimos, enquanto a decepcionante formação de NPL (Non Performing Loans, ou inadimplência) e as altas despesas com litígios devem se normalizar ao longo do ano", afirmaram os analistas em relatório.

Ainda na opinião do BBI, se a alíquota mais baixa for mantida, o banco poderá facilmente atingir a faixa superior de lucro líquido projetado no guidance apresentado, entre R$ 14,5 bilhões e R$ 17,5 bilhões, ficando também acima dos R$ 16,5 bilhões das projeções dos analistas consultados pela Bloomberg.

Essa expectativa também explica a alta das ações durante esta tarde. Os papéis passaram a subir cerca de 1% depois de Rubem Novaes afirmar, em teleconferência, que o banco vai continuar a trajetória de melhora dos seus resultados. Ele espera que a economia brasileira cresça mais a partir do segundo semestre, o que permitirá, segundo o executivo, que o BB cumpra a meta de de crescimento de crédito no ano.

Martins, da XP, destaca que, entre os fatores negativos para o futuro do banco está o segmento de receitas de serviços, que tem caído também nos balanços de outros bancos. Para ele, esta é uma tendência vista em todo o setor por conta do aumento da concorrência, em especial dos bancos digitais.

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