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Faz sentido uma fabricante de cervejas valer mais que uma petrolífera?

Ambev tem uma gestão extremamente eficiente e na petrolífera ocorre o contrário, acredita analista

Ambev - campanha - gôndola - supermercado
(Divulgação/Ambev)

SÃO PAULO - A Ambev (AMBV4) passou a Petrobras (PETR3; PETR4) em valor de mercado na última quinta-feira (22). Pela primeira vez, a companhia de bebidas supera a petrolífera e se torna a empresa mais valiosa do Brasil, com um valor de mercado de R$ 248,76 bilhões, contra R$ 247,20 bilhões da estatal no fechamento desta quarta-feira (21). 

Embora a petrolífera tenha passado a companhia novamente no pregão seguinte, atingindo valor de mercado de R$ 251,10 bilhões contra R$ 247,71 da fabricante de cervejas, esse movimento gerou uma dúvida em diversas pessoas: faz sentido uma companhia que fabrica cervejas pode valer mais que um colosso do petróleo? "Se você olhar o business, não faz sentido nenhum, é um paradoxo muito grande", afirma Carlos Müller, analista da Geral Investimentos.

O próprio analista, porém, ressalta que é a diferença de management que garante essa mudança. "Mas faz sentido na medida em que a Ambev tem uma gestão muito mais qualificada", diz. A diferença portanto, reside nos dois grupos que controlam as companhias: os ex-banqueiros do Garantia, Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles de um lado e o governo brasileiro de outro.

"Toda essa ingerência do governo, toda essa politicagem por trás da Petrobras, o mercado penaliza, ainda mais no cenário de incertezas que a gente tem hoje", avalia. 

Crescimento é importante
O mercado olha principalmente para os resultados das companhias. Nesse cenário, importante ressaltar que o lucro da fabricante de cervejas foi a metade do da petrolífera: R$ 5,56 bilhões da Petrobras contra R$ 2,50 bilhões da Ambev. Mas se comparados com o mesmo período do ano passado, percebe-se o que o mercado está olhando: enquanto a Petro viu o lucro cair 12,14%, enquanto a Ambev elevou em 52,46% os seus ganhos. 

"É uma empresa que proporcionalmente gera mais resultado, e a Petrobras tem reduzido seus ganhos", afirma o analista. Se as coisas caminharem como estão andando, Müller acredita que não tardará para que a Ambev apresente ganhos maiores que a Petrobras.

É possível lembrar que enquanto a petrolífera é um colosso há décadas, a Ambev, hoje parte da líder mundial InBev, era apenas uma das empresas que disputavam a liderança do mercado nacional quando os banqueiros a assumiram. Desde então, a companhia original, a Brahma, fez uma série de fusões e aquisições até se tornar a maior produtora de cerveja do mundo. 

Governo é um obstáculo?
Para Müller, o culpado dessa variação é a politicagem do governo - que mesmo se for de interesse da economia brasileira, conflita com o interesse dos acionistas. "Muitos setores estão sendo prejudicados pelo governo e o mercado vai fugir das empresas que correm esse risco, que é o caso da estatal", avalia. 

Para ele, existe uma lógica bastante clara sobre esse movimento: os investidores deixam os papéis da Petrobras, empresa cheia de incertezas, e compram os da Ambev. "A Ambev tem uma gestão extremamente eficiente; a Petrobras é exatamente o oposto", diz. "E o mercado paga um prêmio por empresas como a fabricante de cervejas", avalia. 

Enquanto o governo de Dilma Rousseff estiver utilizando a Petrobras para estimular a economia nacional e controlar a inflação, essa situação deve perdurar. Mesmo assim, o grande mérito pertence à fabricante de cervejas, que provou que pode, sim, se tornar a empresa mais valiosa do Brasil ao passar a petrolífera.

 

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