XP Asset reforça posição em imóveis e projeta valorização com queda dos juros

Gestora mantém distribuição consistente, amplia presença em galpões logísticos e projeta ganhos adicionais com a esperada queda da Selic.

Osni Alves

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A XP Asset apresentou os resultados do segundo trimestre de 2025 de seus fundos imobiliários com um tom de otimismo. Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, a gestora destacou avanços relevantes nos segmentos de shoppings, galpões logísticos e industriais.

O recado principal é claro: os portfólios estão resilientes, e a proximidade da esperada queda de juros pode abrir espaço para uma nova onda de valorização no mercado.

O gestor Pedro Carraz, acompanhado dos analistas João Gabriel Bandeira, Felipe Teatini e Luiz Bueno, destacou que a atividade econômica segue forte no Brasil, refletindo em maior consumo nos shoppings e demanda crescente por ativos logísticos. Esse ambiente, segundo a equipe, reforça a consistência dos resultados apresentados.

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Datas comemorativas impulsionam o XPML11

No XP Malls (XPML11), fundo que reúne participações em shoppings, o trimestre foi impulsionado por datas comemorativas como Dia das Mães e Dia dos Namorados. As vendas superaram R$ 1.600 por metro quadrado, em alta de quase 4% em relação ao mesmo período de 2024, com inadimplência controlada, em apenas 1%. Para a gestora, os números confirmam a força do varejo físico como destino de lazer e consumo.

O fundo também avançou em eficiência financeira ao concluir a venda do Shopping Cerrado e de participações em FIIs, somando mais de R$ 98 milhões em caixa. Esse reforço amplia a flexibilidade para administrar compromissos futuros e demonstra disciplina na gestão de ativos. Mesmo diante de obrigações a vencer até o fim do ano, a XP reforçou que o plano principal é a venda de ativos de forma estratégica, preservando valor para os cotistas.

A perspectiva de queda da taxa Selic, projetada por boa parte do mercado, também deve beneficiar diretamente o XPML11. Isso porque os fundos imobiliários listados apresentam forte correlação com os juros: à medida que o custo de oportunidade diminui, aumenta o apetite dos investidores por esse tipo de ativo, favorecendo a valorização das cotas.

Logística lidera crescimento com yields robustos

Se nos shoppings a mensagem é de solidez, na logística o tom é de expansão. O XP Log (XPLG11) manteve a distribuição estável em R$ 0,82 por cota ao mês, o que representa yield de quase 10%. Além disso, está em negociação para adquirir sete ativos da RBR em uma operação que pode movimentar até R$ 1,5 bilhão. A conclusão da compra do empreendimento de Extrema (MG), agora 100% do fundo, reforça a estratégia de concentração em localizações de alta demanda.

Outro movimento de destaque foi a consolidação do XP Log Prime Yield, criado em 2025 e já com patrimônio de R$ 450 milhões. Com quatro empreendimentos adquiridos da Heinz — em Manaus, Cajamar (SP) e Rio de Janeiro — e ocupação acima de 97%, o fundo projeta um dividend yield de até 18% no primeiro ano, um dos mais elevados do mercado.

Segmento industrial

No segmento industrial, o XPIN11 registrou forte melhora operacional ao reduzir a vacância para menos de 4%, após ter enfrentado índices próximos a 20% no período pós-pandemia. Essa recuperação possibilitou dividendos de R$ 0,74 por cota, equivalentes a yield anualizado de 12,6%, consolidando o fundo como um dos mais consistentes do portfólio.

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Os especialistas ressaltaram que a combinação de ativos bem localizados, gestão ativa e disciplina financeira mantém os fundos da XP preparados para capturar valor adicional assim que os juros iniciarem seu ciclo de queda.

Para a gestora, os próximos meses podem marcar uma virada positiva tanto para os cotistas quanto para o mercado imobiliário brasileiro.