XP Asset prega seletividade de ativos com a bolsa brasileira acima dos 150 mil

A temporada de resultados veio mista, com algumas surpresas positivas, mas também revisões de margens.

Osni Alves

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Em um cenário de incertezas fiscais e políticas, a XP Asset Management mantém postura defensiva na bolsa brasileira. O gestor de Renda Variável da casa, Marcos Peixoto, afirmou que o momento exige seletividade e paciência por parte dos investidores.

“A temporada de resultados veio mista, com algumas surpresas positivas, mas também revisões de margens em setores que vinham performando bem”, disse.

Segundo ele, a gestora tem concentrado o portfólio em empresas de qualidade, com forte geração de caixa e resiliência operacional.

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“Continuamos focados em utilities, energia e alguns nomes de educação — setores que oferecem previsibilidade de receita e se beneficiam de juros mais baixos no futuro”, explicou.

Peixoto destacou que, apesar do ambiente macroeconômico desafiador, os preços das ações seguem atrativos.

“O Ibovespa negocia com desconto relevante frente à média histórica e ao restante dos emergentes. A questão é o gatilho — precisamos de confiança fiscal e previsibilidade política para destravar esse valor”

— Marcos Peixoto, gestor de Renda Variável.

Crédito privado mantém fundamentos sólidos, diz Vieira

Na área de Renda Fixa e Crédito Privado, o gestor Erick Vieira observou que o segmento continua apresentando bons fundamentos, mesmo após a compressão dos spreads.

“Os spreads vieram muito desde o início do ano, e hoje o carrego é menor, mas ainda atrativo, principalmente em nomes high grade”, explicou.

De acordo com Vieira, os fundos de crédito da XP seguem priorizando liquidez e diversificação.

“Estamos com duration curta e posição relevante em debêntures de infraestrutura e papéis incentivados, que têm isenção fiscal e boa relação risco-retorno”, disse.

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Ele acrescentou que o ambiente de juros mais estáveis tende a estimular a retomada do apetite por crédito privado.

“Com a Selic estabilizada e a curva de inflação ancorada, devemos ver novas emissões e maior demanda por fundos de crédito nos próximos meses”

— Erick Vieira, gestor de Renda Fixa e Crédito Privado.

Investidores buscam equilíbrio entre risco e retorno

Já Izadhora Gonçalez, da área de Relação com Investidores da XP Asset, afirmou que os investidores vêm se mostrando mais cautelosos e equilibrados na alocação de portfólio.

“Há uma busca maior por equilíbrio, com alocação em produtos de renda fixa, multimercados e uma dose controlada de bolsa”, avaliou.

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Ela destacou que o investidor brasileiro amadureceu após os ciclos recentes de volatilidade.

“O movimento que vemos é de diversificação e maior compreensão do papel de cada classe de ativo. Isso tem contribuído para uma base mais estável de cotistas nos fundos da casa”

— Izadhora Gonçalez, da área de Relação com Investidores da XP Asset.

Gestora vê Brasil com potencial em cenário global desafiador

De forma geral, a XP Asset avalia que o cenário global tende a permanecer desafiador, com desaceleração econômica em grandes economias e pressões fiscais domésticas.

Ainda assim, a gestora acredita que o Brasil pode se beneficiar de um ciclo de estabilização monetária e de avanços graduais no campo fiscal, o que abriria espaço para destravar valor em ativos locais e atrair novamente o investidor estrangeiro.