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Com mais de duas décadas dedicadas ao mercado financeiro global, Ruy Alves é hoje uma das vozes mais ouvidas da Kinea Investimentos, onde atua como sócio e co-gestor dos fundos multimercados desde 2020. Sua trajetória começou na Aviva Investors, em Londres, onde foi gestor de ações globais por 15 anos.
Passou também pela JGP e pela Adam Capital, sempre com foco em equities internacionais. Formado pelo Ibmec, com MBA pela London Business School, Alves alia a base acadêmica à experiência prática na análise macroeconômica e dos ciclos de mercado.
Na próxima semana, Alves irá compor a mesa de debates, com Regis Cardoso, da XP, para falar sobre conflitos e oportunidades, em especial, no contexto geopolítico das commodities. Assim, como o cenário internacional traz desafios, em contrapartida pode apresentar possibilidades de rentabilidade.
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Cenário externo
Em uma de suas últimas cartas mensais endereçadas a cotistas, a equipe da Kinea recorreu a uma metáfora inusitada, mas poderosa: o filme O Dia Depois de Amanhã (2004), um thriller climático em que uma súbita mudança nas correntes marítimas mergulha o hemisfério norte em uma nova era glacial. “A indiferença frente aos alertas dos cientistas no filme lembra muito a complacência dos mercados com os sinais de deterioração fiscal dos Estados Unidos”, destaca.
Segundo ele, da mesma forma que os personagens do longa ignoram os avisos até que a tragédia se instala, os investidores e políticos norte-americanos vêm menosprezando os riscos fiscais há décadas. “Déficits crônicos se acumulam sem reação proporcional. A crença é de que o sistema pode operar no vermelho indefinidamente — até que não possa mais.”
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Essa despreocupação com o desequilíbrio estrutural das contas públicas, na visão de Alves, é uma ameaça real à confiança nos ativos dos EUA. “Assim como no filme, o colapso pode parecer distante, até acontecer de forma abrupta.”
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Do superávit à tempestade: quatro décadas de desgaste fiscal
A análise do gestor percorre a evolução das contas públicas dos Estados Unidos desde o início dos anos 2000, mostrando como sucessivos governos contribuíram para o problema atual. George W. Bush, por exemplo, herdou um superávit dos anos Clinton, mas reverteu a trajetória com cortes de impostos e aumento de gastos militares com as guerras no Afeganistão e Iraque. O déficit explodiu com a crise de 2008, encerrando aquele ano com um rombo de quase 10% do PIB.
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Já Barack Obama, que assumiu em meio à recessão, promoveu um forte estímulo fiscal para reativar a economia. Ainda que tenha reduzido parcialmente o déficit nos anos seguintes, a dívida pública saltou de 60% para quase 80% do PIB ao fim de seu mandato. Donald Trump, por sua vez, aprovou em 2017 um grande corte de impostos mesmo com a economia aquecida, além de ampliar os gastos com defesa e benefícios, agravando o desequilíbrio antes mesmo da pandemia.
A chegada da Covid-19, em 2020, detonou pacotes trilionários de socorro. O déficit saltou para 15% do PIB, e a dívida ultrapassou o pico registrado durante a Segunda Guerra Mundial. Joe Biden manteve a política expansionista, com estímulos adicionais como o American Rescue Plan e investimentos em infraestrutura e energia limpa.
“Mesmo com a recuperação da economia, os déficits seguiram elevados — algo raro em períodos de pleno emprego”, observa Alves.
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Trajetória insustentável desafia credibilidade do Tesouro americano
Para o gestor da Kinea, a principal preocupação está nos déficits estruturais: aqueles que não são provocados por crises temporárias, mas por um descompasso permanente entre receitas e despesas. Segundo estimativas do Congressional Budget Office (CBO), o déficit dos EUA deve alcançar US$ 1,9 trilhão em 2025, o equivalente a 6,2% do PIB — patamar que deve se manter ao longo da próxima década.
“A média histórica é de 3,8% do PIB. Estamos falando do dobro disso, sem guerra ou recessão”, alerta Alves. Ele aponta que o avanço dos gastos obrigatórios, como Previdência e Medicare, somado aos juros crescentes da dívida pública, compõe uma equação insustentável no médio prazo.
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Apesar dos alertas de economistas e instituições independentes, a classe política americana segue paralisada por embates partidários. “Enquanto não há uma crise clara, a tentação é sempre adiar as decisões difíceis”, afirma o gestor.
A complacência, segundo ele, é alimentada por décadas de estabilidade institucional e pelo status do dólar como moeda de reserva global. “Mas mesmo um gigante pode tropeçar, se seguir caminhando no escuro.”
Com um histórico que combina visão global e disciplina macro, Ruy Alves segue chamando atenção para temas que, muitas vezes, passam ao largo do noticiário cotidiano, mas carregam implicações de longo prazo para os investidores.
Como em O Dia Depois de Amanhã, a pergunta que fica é: quando o alerta deixará de ser ignorado?
Expert XP
Serviço
Evento: Expert XP 2025
Data: 25 e 26 de julho de 2025
Local: São Paulo Expo – São Paulo/SP
Benefícios Cartão XP: Desconto de 50% na compra do ingresso com o cartão, além de1% de Investback ou 1 ponto por dólar.
Ingresso para os dois dias com Cartão XP (25 e 26/07): R$ 1.320,00
Ingresso para sábado (26/07): R$ 878,00
Site oficial: www.expertxp.com.br