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O Brasil ainda engatinha na jornada de internacionalização de investimentos, apesar dos avanços regulatórios e da crescente digitalização. Essa é a visão de Giuliano De Marchi, Head of Latin America do JP Morgan Asset Management, que avalia o mercado brasileiro com uma nota baixa em comparação a competidores globais.
A análise destaca que o país, embora tenha melhorado significativamente, ainda está “muito para trás” e precisa superar barreiras para oferecer o que há de melhor no mundo aos investidores locais.
De Marchi, que também é diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ressaltou que o Brasil é historicamente “muito fechado”, com investidores olhando predominantemente para o mercado doméstico e perdendo oportunidades globais.
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“Eu acho que nessa questão internacional, o Brasil ainda está começando… se fosse para dar uma nota aqui, a gente está de 0 a 10, a gente ainda é uma nota 3, 3,5”, afirmou.
Ele lembrou que a indústria de fundos brasileira, embora grande, é relativamente recente e foi dominada por muito tempo pela renda fixa devido às altas taxas de juros.
A virada começou com mudanças na legislação, como a de 2016, que inicialmente só beneficiava o investidor super qualificado, e a posterior digitalização e a Instrução CVM 175, que “realmente abriu” o acesso para a massa de investidores através de veículos feeders.
O executivo participou do Outliers Infomoney, podcast apresentado por Clara Sodré e Fabiano Cintra.
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O Desafio da Regulamentação e o Exemplo Chileno
Apesar da abertura, De Marchi aponta que ainda há um longo caminho a percorrer. Ele estima que o mercado ainda carece de 30% a 35% de melhoria, principalmente devido a restrições que dificultam a comercialização e o registro de certos produtos internacionais no Brasil.
Ele defende a atuação da Anbima em duas frentes: levar o investidor brasileiro ao que há de melhor no mundo (outbound) e trazer o investidor internacional para o Brasil (inbound).
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“A gente tem muita coisa legal aqui, infelizmente a gente acaba colocando uma série de regulações, ou seja, porteiras que dificultam a entrada do investidor internacional no mercado local e dificultam a saída”
O executivo citou o Chile como um exemplo de sucesso na internacionalização. O país, com apenas 20 milhões de habitantes, tem um mercado de capitais que investe cerca de 40% de seus recursos fora do país.
O gatilho para essa mudança foi o sistema mandatório de fundos de pensão privados, iniciado na década de 90, que permitiu a alocação de recursos em ativos internacionais.
“O Chile começou essa internacionalização na década de 90 também, iniciando principalmente nos fundos de pensão”, disse, destacando que o Brasil pode importar o aprendizado de buscar o melhor retorno globalmente.
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