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Consultoria XP celebra um ano e define estratégia para chegar aos R$ 100 bi em 2027

A XP busca se posicionar como a “casa dos três modelos”, reunindo diferentes formas de relacionamento dentro da própria instituição

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Um ano após lançar a XP Consultoria, a empresa começa a consolidar uma estratégia que busca acomodar diferentes perfis de investidores dentro da mesma estrutura de atendimento. A operação já atende clientes com patrimônio médio de cerca de R$ 6 milhões e tem uma meta ambiciosa pela frente: alcançar R$ 100 bilhões sob consultoria até o fim de 2027. 

Para avançar nessa direção, a empresa aposta na convivência de três formatos de relacionamento com o cliente: a assessoria no modelo transacional, a assessoria com remuneração por taxa fixa e a consultoria de investimentos. 

A proposta, segundo a XP, é que a escolha não seja determinada apenas pela forma de cobrança, mas principalmente pelo perfil, pelo patrimônio e pelas necessidades de cada investidor. Hoje, a estrutura ligada à consultoria reúne perto de 120 profissionais, dos quais cerca de 60 são consultores. 

“A gente não acredita que exista um único modelo de atendimento, um único modelo capaz de atender a todos os perfis de todos os investidores que a gente tem”, afirma Diego Gonsalez, Head de Canais Wealth Services e Consultoria. 

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Segundo ele, a XP busca se posicionar como a “casa dos três modelos”, reunindo diferentes formas de relacionamento dentro da própria instituição. 

“A gente oferece alternativas e permite que o cliente escolha aquele modelo que atende melhor às suas necessidades. O poder de escolha fica com o cliente”, diz Gonsalez. 

O Head de Consultoria XP, Eduardo Agápito, destaca que essa decisão pode mudar ao longo do tempo, conforme o patrimônio e as necessidades financeiras do investidor se transformam. 

“Não é um casamento que você precisa estar para sempre naquele modelo”, explica Agápito. “Tem momentos de vida também em que você pode se movimentar entre esses modelos”. 

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Perfil do cliente influencia a escolha 

Diego Gonsalez (Head of Wealth Services XP) Foto: Fábio Rizzato / InfoMoney

Na avaliação dos executivos da XP, não existe uma hierarquia entre os formatos oferecidos. “Qual é o melhor modelo? Não existe o melhor. Existe um modelo que tem um fit maior para cada perfil de cliente”, ressalta Gonsalez. 

No modelo transacional, a remuneração está relacionada às operações realizadas e aos produtos distribuídos. Na assessoria com taxa fixa, o cliente paga uma cobrança periódica pelo serviço de acompanhamento e planejamento financeiro. 

A Consultoria XP também adota uma cobrança fixa e acrescenta a possibilidade de analisar de forma consolidada investimentos mantidos em diferentes instituições, segundo a empresa. 

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Agápito compara os formatos a outras formas de prestação de serviço. Um cliente pode contratar um profissional para uma necessidade pontual ou optar por um acompanhamento contínuo, dependendo de sua situação. 

Na avaliação do executivo, o investidor pode manter um assessor remunerado pelo modelo transacional, contratar um serviço contínuo em uma instituição ou utilizar uma consultoria com visão mais ampla sobre o patrimônio. 

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Consultoria considera multicustódia 

A multicustódia é apontada pelos executivos como uma das principais diferenças da consultoria. O modelo permite considerar os investimentos do cliente mesmo quando os recursos estão distribuídos entre bancos, corretoras e outras instituições financeiras. 

“O assessor acaba olhando uma instituição. Hoje, quando a gente pensa em XP, o consultor trabalha multicustódia. Então, seja XP, Itaú, Santander, BTG, qualquer instituição, o olhar do consultor abrange o patrimônio”, detalha Agápito. 

Gonsalez ressalta, porém, que serviços como planejamento financeiro e sucessório não são exclusividade da consultoria. “A gente acredita no planejamento financeiro de longo prazo para o nosso cliente. Isso vai estar em qualquer modelo”, garante. 

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Patrimônio médio dos clientes é de R$ 6 milhões 

Eduardo Agapito (Head XP Consultoria) (Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)

O patrimônio médio dos clientes atendidos pela Consultoria XP é de aproximadamente R$ 6 milhões. Para Agápito, a complexidade do patrimônio é uma variável relevante para avaliar em quais situações uma consultoria com visão multicustódia pode ser adequada. 

“Hoje, você, com o patrimônio não tão relevante, não precisa ter três corretoras, três bancos, duas offshores. É muito mais fácil centralizar sua custódia em um banco, uma corretora”, afirma. 

“O nível de complexidade de um cliente é muito importante quando você pensa no lado de consultoria pelo serviço prestado”, acrescenta. 

A XP apresentou a consultoria em 2025 como um serviço direcionado ao público de alta renda, inicialmente voltado a clientes com patrimônio a partir de R$ 1 milhão. 

Além de aproximadamente 60 consultores, a empresa conta com outros cerca de 60 profissionais ligados a áreas como planejamento sucessório, seguros, câmbio e crédito. 

Segundo Gonsalez, o desempenho da operação nos primeiros 12 meses superou as projeções iniciais. “Tem sido uma surpresa muito positiva. A gente está bem acima do planejado”, celebra. 

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XP amplia presença regional da consultoria 

Espaço XP Belo Horizonte (MG) – Crédito: divulgação

A companhia mantém um plano de expansão regional para atender clientes fora do eixo Rio-São Paulo. Conforme Agápito, a estrutura já conta com profissionais em diferentes regiões do país. 

O executivo cita Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte entre as cidades com presença da equipe. Segundo ele, a estrutura passa por um processo de regionalização. 

“Hoje a gente já tem banqueiros ao redor do Brasil”, afirma. 

De acordo com os executivos, o objetivo é ampliar a presença da consultoria em mercados nos quais a companhia já mantém atuação relevante. 

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XP vê maior demanda por planejamento 

A oferta dos diferentes modelos acompanha uma transformação que a XP afirma observar no mercado brasileiro. 

Segundo Gonsalez, uma primeira fase do setor foi marcada pela busca dos investidores por acesso a produtos. Em seguida, houve maior demanda por assessoria especializada. 

Na avaliação do executivo, a etapa atual envolve uma procura crescente por planejamento financeiro e por uma visão mais abrangente do patrimônio. 

“O investidor deixa de buscar apenas produtos. Ele passa a demandar cada vez mais planejamento, acompanhamento, uma estratégia financeira construída a partir de objetivos”, analisa. 

Agápito explica que a rentabilidade não deve ser a única medida utilizada para avaliar o serviço. Segundo ele, o desempenho da carteira continua relevante, mas o acompanhamento também deve considerar os objetivos definidos pelo cliente. 

O executivo cita como exemplos de metas a compra de um imóvel, a realização de viagens, a aposentadoria e o planejamento sucessório. 

“O principal é: estamos chegando no nosso objetivo?”, comenta. 

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Cliente pode mudar de modelo 

Na estratégia apresentada pelos executivos, o modelo de atendimento não precisa permanecer o mesmo durante toda a trajetória financeira do cliente. 

De acordo com Agápito, clientes com patrimônio mais concentrado e estruturas menos complexas podem não precisar de um acompanhamento multicustódia. 

Já a distribuição de recursos entre diferentes instituições e estruturas no exterior pode aumentar a demanda por uma visão consolidada. Essa avaliação, segundo os executivos, deve ser feita de acordo com a situação e os objetivos de cada cliente. 

Segundo Gonsalez, a estratégia busca permitir que o cliente transite entre os modelos conforme suas necessidades, sem concentrar a decisão apenas na forma de cobrança. 

Para Agápito, essa mudança também passa pela forma como o atendimento é entendido. “Cada vez mais, o assessor de investimentos e o consultor trabalham no modelo de serviço, não no modelo de produto”, conclui.


Formado em Jornalismo pela UFSM, Marcelo Monteiro atua há mais de 30 anos na imprensa. Trabalhou em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Gazeta Mercantil, Hoje em Dia e Diário Catarinense. É autor dos livros "U-507" (2012) e "U-93" (2014) e dirigiu os documentários "Delírios" (2021) e "Além do Limite" (2022).