Construtoras e Embraer disparam na Bolsa, mas seguem baratas, avalia Apex Capital

Potencial de valorização persiste para papéis resilientes em meio à instabilidade econômica, avaliam gestores.

Osni Alves

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Mesmo em um cenário de crise política e fiscal prolongada, algumas ações na Bolsa brasileira estão conseguindo se destacar. Para Fábio Spínola e Paulo Weikert, sócios da Apex Capital, construtoras que atendem ao programa Minha Casa Minha Vida e os papéis da Embraer (EMBR3) seguem no topo de desempenho, mas ainda negociam com múltiplos atrativos, indicando que há espaço para novas altas.

Em entrevista ao Stock Pickers, apresentado por Lucas Colazzo, Spínola destacou que o mercado tem seus ciclos e que, apesar de momentos de forte pessimismo, como na recessão durante o governo Dilma Rousseff, crises não são eternas. “Quando as autoridades começam a entrar em pânico e vêm ao resgate, o mercado encontra um piso e se recupera. Uma hora acaba”, disse.

Segundo ele, o atual período de preços deprimidos é consequência direta da instabilidade política e fiscal, mas empresas resilientes conseguem navegar bem mesmo em condições adversas.

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“Existem companhias na Bolsa hoje que geram muito caixa, têm mercados endereçáveis muito bons e executam muito bem. Para esse tipo de empresa, o cenário macroeconômico é menos importante.”

— Fábio Spínola, da Apex Capital

Minha Casa Minha Vida mantém demanda “infinita”

No radar da gestora, construtoras focadas no Minha Casa Minha Vida apresentam uma demanda considerada praticamente inesgotável, especialmente nas grandes regiões metropolitanas.

“Tudo que se produz no preço correto do programa vende. E não são tantas empresas na Bolsa com essa capacidade de produção e venda.”

— Fábio Spínola, da Apex Capital

Ele ressaltou que, apesar de algumas ações do setor estarem nos maiores níveis de preço, o valor das empresas — medido pelo múltiplo preço/lucro — segue baixo, pois os lucros avançaram mais do que as cotações.

“O preço da ação andou, mas o lucro andou mais. Se o cenário estivesse melhor, essas ações estariam muito acima do que estão hoje”, disse.

O gestor também destacou que vê o programa como uma política consolidada, independentemente de partidos.

“Não é um programa de um partido ou de outro, é algo que está claro para todos os lados políticos que é muito importante e deve continuar”, completou.

Entre as preferidas da Apex no setor está a Cyrela (CYRE3), tradicionalmente voltada para a média e alta renda, mas que vem ampliando sua presença na baixa renda — segmento que pode representar até metade do lucro da companhia já no próximo ano.

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Potencial oculto nos múltiplos

Spínola afirmou que, se a parte de média e alta renda da Cyrela negociasse aos mesmos múltiplos de empresas puramente voltadas à baixa renda, seu preço estaria bem acima do atual.

“Hoje, essa fatia negocia a duas, duas vezes e meia o lucro. Isso mostra a oportunidade e a simetria que temos em ótimas companhias na Bolsa”, destacou.

Além da construção civil, a Embraer foi citada como outro caso de destaque, com resultados sólidos e potencial de valorização, mesmo diante do contexto econômico desafiador.

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Sobre Embraer, ele relembra que o papel subiu de R$ 20 para R$ 78 em dois anos, impulsionado por crescimento de lucros e expansão de múltiplos.

A Apex demonstra otimismo ainda com Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), direcionadas a baixa renda, além de instituições financeiras como Itaú (ITUB4) e BTG (BPAC11).

“Essas empresas estão crescendo lucro barbaramente ao longo dos anos. Continua barato, mesmo com múltiplo mais alto. Se há capacidade de continuar crescendo, está ok comprar”, pontua Spínola.

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Para a Apex, o momento é de identificar empresas que combinem resiliência operacional com valuations atrativos, já que uma eventual melhora no cenário macroeconômico pode acelerar o ganho de preço acima do crescimento do lucro.

“Há companhias que vão continuar crescendo, expandindo margem e ganhando mercado independentemente das turbulências.”

— Fábio Spínola, da Apex Capital