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Como o Clube do Valor, de Ramiro Gomes, pretende chegar a R$ 10 bi sob consultoria

O empreendimento surgiu como uma reação ao que seus sócios enxergavam como distorções no modelo tradicional de assessoria.

Osni Alves

Ramiro Gomes Ferreira e Bruno Strack, do Clube do Valor.
Ramiro Gomes Ferreira e Bruno Strack, do Clube do Valor.

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Com cerca de R$ 6 bilhões sob gestão e aconselhamento e crescimento próximo de 100% ao ano, o Clube do Valor entra em 2026 projetando alcançar a marca de R$ 10 bilhões até o fim do ano, com faturamento acima de R$ 100 milhões. A aceleração ocorre em meio a um momento de forte aquecimento e transformação estrutural do mercado brasileiro de consultoria financeira, marcado pela chegada de novos players, maior escrutínio regulatório e uma corrida por modelos de negócios mais alinhados ao investidor.

Fundado em 2015 por Ramiro Gomes Ferreira e Bruno Strack, o Clube do Valor surgiu como uma reação ao que seus sócios enxergavam como distorções no mercado. “Era comum ver produtos com maior rebate sendo priorizados, mesmo quando não faziam sentido para o cliente. Isso nos incomodava profundamente”, afirma Ramiro. A inspiração veio de mercados mais maduros, onde a remuneração por taxa fixa (fee-based) e o foco em planejamento financeiro já eram padrão.

Na época, nem sequer existia regulação específica para a atividade de consultoria de investimentos no Brasil. A alternativa encontrada foi atuar via gestão de carteiras administradas, um serviço até então restrito a grandes fortunas. “Nosso objetivo sempre foi democratizar o acesso a uma gestão profissional, transparente e alinhada, inclusive para investidores com patrimônios menores”, diz Strack, CEO da casa.

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Segundo ele, ouvir que “o brasileiro não estava pronto para pagar por transparência” nunca foi suficiente para mudar a convicção do negócio.

Do pioneirismo ao ganho de escala

Desde o início, o Clube do Valor manteve a decisão de operar exclusivamente no modelo fee-based, mesmo quando o mercado pressionava pela migração ao comissionamento. “A leitura era de que crescer seria mais rápido se adotássemos o modelo tradicional, mas nunca abrimos mão do alinhamento de interesses”, afirma Strack. Com o amadurecimento do investidor e o avanço regulatório, a tese se mostrou acertada: a discussão sobre conflitos de interesse ganhou força, e o pagamento explícito por consultoria passou a ser mais bem compreendido.

Um divisor de águas foi a regulamentação da atividade de consultoria de investimentos, que deu visibilidade e legitimidade ao modelo. “Quando o tema entrou na agenda regulatória, o mercado passou a entender melhor o que já fazíamos havia anos”, diz Ramiro. Isso facilitou a conversa com clientes e acelerou a expansão de uma operação que já estava estruturada para crescer.

Hoje, o Clube do Valor conta com cerca de 250 colaboradores, entre eles aproximadamente 100 consultores, e presença em diversos estados, com base principal em Porto Alegre. A evolução patrimonial ilustra o ritmo: de R$ 1 bilhão em junho de 2023, saltou para R$ 3 bilhões no fim de 2024, R$ 4 bilhões em abril de 2025 e R$ 5,5 bilhões em dezembro do mesmo ano, chegando agora à casa dos R$ 6 bilhões. A base de clientes ultrapassou 5 mil investidores.

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Cultura como diferencial competitivo

Além do modelo de negócios, a empresa atribui boa parte do desempenho à construção de uma cultura organizacional forte. “Cultura é a nossa estratégia”, costuma dizer Bruno. Para Ramiro, “cultura é aquilo que se tolera e se incentiva”, o que, segundo ele, se reflete em rituais semanais, comitês internos e avaliações de desempenho ancoradas em valores como integridade, transparência e foco absoluto no cliente.

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Desde os primeiros anos, quando a equipe ainda tinha menos de dez pessoas, a empresa investiu recursos em mentorias voltadas à estrutura organizacional e à formação de valores. O objetivo era criar um ambiente orientado a resultados, aprendizado contínuo e protagonismo. “Honestidade é inegociável. Preferimos crescer de forma sustentável a abrir mão da qualidade do atendimento”, afirma Bruno.

Essa cultura sustenta uma proposta de serviço que vai além da alocação de ativos. O Clube do Valor se posiciona como o “CFO da vida” do cliente, com uma abordagem 360 graus que integra investimentos, planejamento sucessório, previdência, proteção patrimonial, estruturação offshore e planejamento tributário, apoiada por equipes multidisciplinares e estratégias próprias, desenvolvidas por um time com certificação CFA.

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Consolidação à vista e aposta em tecnologia

Para 2026, a leitura do cenário combina cautela e otimismo. A proliferação de novas consultorias — cerca de três registros por semana, segundo dados do setor — deve intensificar a concorrência e atrair maior atenção da CVM e da Anbima. “É natural que haja um processo de consolidação. Muitos entraram pelo hype, mas só permanecerão aqueles com fundamentos sólidos e entrega real de valor”, afirma Ramiro.

Entre os desafios estão a integração de dados em um ambiente ainda pouco padronizado, a operação em múltiplas plataformas e a incorporação de tecnologias como inteligência artificial para ganho de eficiência e personalização. “Ser fee-based deixará de ser diferencial. O cliente vai escolher pela qualidade do atendimento e pela capacidade de gerar valor de forma consistente”, diz Bruno.

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A estratégia de crescimento passa também pela relevância digital — o canal da empresa no YouTube já soma mais de 1 milhão de inscritos — e pelo fortalecimento de parcerias. A relação com a XP, segundo os executivos, foi fundamental para a expansão, tanto pela força da marca quanto pela robustez do ecossistema. Ainda assim, a visão é de que, no futuro, plataformas serão cada vez mais commodities. “O verdadeiro diferencial estará no serviço, na proximidade e na visão holística de planejamento financeiro”, conclui Bruno.