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A aposta de Paolo Di Sora, CIO da RPS Capital, na recuperação econômica da Argentina ganhou força com os sinais de apoio americano ao governo de Javier Milei. Para o gestor, o país vizinho está no início de um ciclo semelhante ao do Brasil nos anos 1990, quando o Plano Real consolidou o controle da inflação e pavimentou um longo período de crescimento. “Se essa minha tese continuar se consolidando, estamos nos primeiros anos do Plano Real da Argentina. Quem tiver coragem de carregar posição por mais tempo pode ganhar muito dinheiro”, afirmou.
Di Sora destacou que, apesar da volatilidade política recente, o interesse dos Estados Unidos em apoiar empresas americanas a investir na Argentina pode reduzir o risco percebido pelos estrangeiros. “O Jimmy Diamond esteve lá, a presidente do Citi também. Imagino que estejam tentando estruturar modelos de financiamento em dólar, com algum backstop do governo americano”, disse. Segundo ele, essa engenharia financeira é crucial para restaurar a confiança de longo prazo em um país que ainda precisa atrair investimento direto estrangeiro (FDI) e construir reservas cambiais.
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O gestor lembrou que o Brasil viveu momento semelhante após o Plano Real, quando o ciclo de commodities ajudou a acumular reservas e reduzir riscos cambiais. “A Argentina ainda está no nível anterior. Precisa primeiro construir essa reserva para depois entrar num ciclo de trade mais saudável”, explicou. Apesar das diferenças estruturais, Di Sora vê nos países emergentes um padrão comum: volatilidade política, risco elevado e ciclos de oportunidade.
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Risco e resiliência nos emergentes
O episódio foi apresentado por Lucas Collazo, no Stock Pickers, e destacou a importância da resiliência do investidor em meio às oscilações dos mercados emergentes. “Quem investe em emergentes assume um risco maior, mas há escalas. Na Argentina, o risco é maior, mas também o potencial de retorno”, disse Di Sora. Ele traçou paralelos com outros mercados que viveram crises, como Rússia, China e Peru, e lembrou que o investidor estrangeiro, por vezes, enxerga oportunidades antes do local.

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A vitória recente do partido de Javier Milei nas eleições legislativas reforçou a confiança de Di Sora na tese argentina. Para ele, o sucesso das reformas liberais pode contaminar positivamente o debate econômico brasileiro.
“Acredito na economia liberal. Quem faz a lição de casa, organiza as contas e reduz juros colhe um PIB mais alto e melhor distribuição de renda. Se a Argentina prosperar, isso vai nos influenciar”