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A Apen Capital, escritório de wealth management com sede no Nordeste, atingiu a marca de R$ 2 bilhões sob custódia e já traça os próximos passos de uma expansão que inclui a abertura de um escritório em São Paulo, prevista para janeiro de 2027. O crescimento, construído sem aportes externos e sem tráfego pago, é descrito pela própria liderança como consequência direta de reputação — não de aceleração comercial.
“Os R$ 2 bilhões são resultado de consistência, não de aceleração. A Apen chegou até aqui de forma orgânica, com crescimento muito baseado em reputação, confiança e indicação”, afirma Saulo de Souza Godoy, Founding Partner e CEO da empresa.
Fundada no fim de 2019, a Apen nasceu, na prática, como um single family office para atender duas famílias. A coincidência com o início da pandemia de Covid-19 foi, segundo Godoy, um teste precoce que ajudou a moldar a cultura da casa. Com poucos meses de operação, a empresa já enfrentava um dos períodos mais turbulentos do mercado financeiro nas últimas décadas.
O aprendizado daquele momento foi menos técnico do que filosófico. A crise deixou claro que a responsabilidade pela alocação precisava ser da casa, não do humor momentâneo do cliente. Desde então, a Apen passou a trabalhar com uma visão mais rígida de mandato: a carteira principal deve refletir método e convicção, independentemente do apetite de risco do momento.
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De consultoria de investimentos a wealth management
O principal ponto de virada na trajetória da empresa veio entre 2021 e 2022, quando a Apen assumiu de forma mais explícita o papel de gestora patrimonial. Antes disso, a atuação era concentrada em carteiras e ciclos de mercado. A partir dali, planejamento sucessório, estruturas patrimoniais e visão multigeracional passaram a integrar o escopo do serviço.
“A gente entendeu que o nosso papel não era só cuidar de carteira. Era ajudar famílias a organizar, proteger e atravessar o tempo com o patrimônio delas”
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Hoje, a empresa conta com cerca de 40 pessoas distribuídas em três grandes frentes — operação, consultoria e inteligência —, além de uma coordenação dedicada a wealth planning. Na ponta de atendimento, são seis consultores internos. A empresa também opera um modelo B2B, com cinco consultores acoplados ao ecossistema da casa, frente que a liderança enxerga como um dos pilares do crescimento nos próximos anos.
A estrutura foi desenhada para que a entrega não fique concentrada na figura do consultor. Há times dedicados à governança, atendimento, gestão de dados, performance e inteligência de portfólio. “A Apen foi construída mais como uma plataforma de serviço do que como uma casa em que tudo depende da ponta comercial”, explica o CEO.
Expansão com disciplina
Com a marca dos R$ 2 bilhões atingida, a empresa projeta fechar 2026 em torno de R$ 3 bilhões sob custódia. Para o fim de 2027, considerando a maturação do escritório em São Paulo e o avanço do modelo B2B, a estimativa é chegar a um intervalo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões.
A abertura em São Paulo, com nomes locais já definidos, segue a mesma lógica que orienta o restante da operação: integração cultural antes de expansão comercial. “Cada nova frente precisa fazer sentido também na conta. A Apen é self-funded e não faz movimentos desproporcionais para crescer”, ressalta Godoy.
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O modelo B2B, mais recente, permite ampliar a presença geográfica sem replicar imediatamente uma estrutura física completa. É uma aposta na demanda de consultores que buscam se vincular a plataformas já consolidadas, com marca, governança e tecnologia.
A raiz nordestina da empresa também é tratada como ativo estratégico, não como limitação. Segundo a liderança, a regionalidade permitiu construir uma proximidade real com famílias que, historicamente, eram atendidas por grandes instituições de fora sem o mesmo nível de entendimento local.

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Tecnologia e o olho no futuro
Olhando para os próximos anos, Godoy destaca quatro vetores que devem moldar a próxima fase da Apen: inteligência artificial, consolidação do setor, expansão do modelo B2B e um investidor cada vez mais informado — mas também mais exposto ao ruído do excesso de informação.
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“A IA vai ter um impacto direto nas duas pontas: eficiência interna e qualidade do atendimento ao cliente. Em um negócio como o nosso, o grande desafio é fazer mais sem perder profundidade”, afirma o CEO.
A trajetória da empresa também tem raízes no universo da educação financeira. Em 2017, Godoy lançou um curso online que hoje soma mais de 8 mil alunos. Parte dos primeiros clientes veio diretamente dessa base — uma relação de confiança construída por conteúdo antes mesmo de existir uma estrutura formal de serviços.
Em um mercado que caminha para a consolidação, com a entrada de capital privado e o avanço de grandes plataformas por escala, a Apen escolhe o caminho oposto: crescer com identidade. “Se, para chegar mais rápido, a empresa tiver que comprometer o serviço, eu prefiro que cresça menos. Para nós, o número só vale a pena quando vem junto com reputação preservada”, conclui.
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