Problema na GM de São José dos Campos não representa crise no setor

Para economista, substituição ou descontinuação de linha faz parte do dia-a-dia do mercado

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SÃO PAULO – O encerramento da produção do Corsa pela GM de São José dos Campos reacendeu as discussões sobre a possibilidade de fechamento da planta.

De acordo com o economista especializado em varejo automotivo, Ayrton Fontes, a situação atual da GM não representa uma possível crise no setor automotivo. “Pode parecer um caso pontual, mas não é, acontece no mundo todo. Ninguém pode obrigar uma montadora a produzir um determinado modelo por algum tempo, deixar de fabricar faz parte da estratégia da montadora. Agora está acontecendo em São José dos Campos, mas pode acontecer com qualquer outra montadora”, explica.

Segundo o economista, no Brasil existem mais de mil modelos de veículos dispóníveis aos consumidores e por isso, as montadoras precisam acompanhar a evolução desse mercado. “Por exemplo, a GM pode tirar três modelos do mercado e substituí-los por um que atenda um determinado mercado. Não é um problema da GM é um problema do mercado, mas de livre concorrência”, comenta.

Demissões
Caso seja fechada, a planta de São José dos Campos colocará fim a mais de 2 mil postos de trabalho. Problema que tem levado o governo a pensar em suspender a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Importados) para manter os empregos. “O incentivo do IPI foi muito importante. Se não houvesse a desoneração do IPI teríamos uma crise muito grande”, conta Fontes.

Segundo Fontes, o governo não pode, por lei, obrigar as montadoras a darem emprego. “Não estou falando de proteção às montadoras, mas de mercado. É um problema de mercado, mas qualquer montadora pode fazer isso, respeitando os direitos trabalhistas”, explica.